são três e meia da manhã e o relógio dói no pulso. adivinha-se o destino dos ponteiros. profetizam-se sonhos com prazo. acelera-se o silêncio. e bate-se contra a madeira.
venho já.
quarta-feira, abril 02, 2008
sexta-feira, março 21, 2008
quinta-feira, março 20, 2008
...quem dera...
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Pessoa
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Pessoa
segunda-feira, março 17, 2008
quinta-feira, março 13, 2008
fotografia antecipada
O sol escorrega pela rua como um tapete na madeira da sala ampla, onde uma televisão faz barulho. Uma criança corre pela infância dos carros, esboça o corpo pela felicidade. Um homem ergue um jornal com estórias tristes, outras assim-assim, e outras menos tristes. Uma mulher leva a roupa molhada num estendal muito além da sua altura.
Os vizinhos gritam. Os carros são os mesmos. O café continua no sítio. O cheiro do mar sobe ao nariz, e o arroz de polvo espalha-se pela mesa.
Depois, no teatro, ainda cabe o café com aquele biscoito. Alguém sacode as migalhas para o bem dos pássaros. O carro lança-se pela mesma rua, onde o sol escorrega até encontrar dois pares de vidas, sentados onde se sentam as flores. Aí nascem beijos e abraços e palavras proferidas a lápis de cor.
Quando o sol enrola-se rua fora, e desaparece por fim, e quando a noite ganha vez, o cobertor embala várias vidas numa só: são 4-4.
Os vizinhos gritam. Os carros são os mesmos. O café continua no sítio. O cheiro do mar sobe ao nariz, e o arroz de polvo espalha-se pela mesa.
Depois, no teatro, ainda cabe o café com aquele biscoito. Alguém sacode as migalhas para o bem dos pássaros. O carro lança-se pela mesma rua, onde o sol escorrega até encontrar dois pares de vidas, sentados onde se sentam as flores. Aí nascem beijos e abraços e palavras proferidas a lápis de cor.
Quando o sol enrola-se rua fora, e desaparece por fim, e quando a noite ganha vez, o cobertor embala várias vidas numa só: são 4-4.
sábado, outubro 13, 2007
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
não sei bem se preciso de um «ethernal sunshine» ou de um «spotless mind».
quinta-feira, outubro 11, 2007
sexta-feira, setembro 14, 2007
homesick
someone who needs somewhere
london-calling-joana
[eu vou estar ali a pintar fotografias que os meus olhos dançarinos gravam. volto sempre que o meu planeta chamar]
london-calling-joana
[eu vou estar ali a pintar fotografias que os meus olhos dançarinos gravam. volto sempre que o meu planeta chamar]
quinta-feira, setembro 13, 2007
terça-feira, setembro 11, 2007
quinta-feira, setembro 06, 2007
terça-feira, setembro 04, 2007
segunda-feira, setembro 03, 2007
sábado, setembro 01, 2007
quinta-feira, agosto 30, 2007
Eu hei-de amar uma pedra
Foi com o dia a terminar no horizonte que me lembrei de ti. Do grito que esvoaça a cada novo morrer. Da probabilidade. Do medo. Da perda.
Estás velho. Já caminhas pela vida, porque ela ainda não acabou contigo como acabou comigo. Foi com o som estridente de um piano gasto, em dó maior, que me ensinaste, a sair fora de mim, para entrar de novo em mim - do lado inverso.
De facto, as tuas rugas assustam-me: antecipam-me a morte. E só de te olhar sinto-te a falta. De ti e das tuas coisas e palavras e sentidos.
Incomoda saber que te percorro os passos. Os que te levarão ao cemitério, onde repousarás, debaixo de uma pedra. As flores serão saudade. E essa pedra uma vertigem.
"Eu hei-de amar uma pedra"
Estás velho. Já caminhas pela vida, porque ela ainda não acabou contigo como acabou comigo. Foi com o som estridente de um piano gasto, em dó maior, que me ensinaste, a sair fora de mim, para entrar de novo em mim - do lado inverso.
De facto, as tuas rugas assustam-me: antecipam-me a morte. E só de te olhar sinto-te a falta. De ti e das tuas coisas e palavras e sentidos.
Incomoda saber que te percorro os passos. Os que te levarão ao cemitério, onde repousarás, debaixo de uma pedra. As flores serão saudade. E essa pedra uma vertigem.
"Eu hei-de amar uma pedra"
segunda-feira, agosto 13, 2007
Fui para os bosques viver deliberadamente. Queria viver profundamente e sugar o tutano da vida. E, não, quando morrer, descobrir que não vivi.
in Clube dos Poetas Mortos
Nem sempre a cadeira é o lugar mais privilegiado para se ver o mundo. Para vê-lo é preciso ousar subir mesas, telhados, descer a caves, condutas. E nem sempre a cadeira é o lugar mais seguro.
in Clube dos Poetas Mortos
Nem sempre a cadeira é o lugar mais privilegiado para se ver o mundo. Para vê-lo é preciso ousar subir mesas, telhados, descer a caves, condutas. E nem sempre a cadeira é o lugar mais seguro.
domingo, agosto 12, 2007
Miguel de Cervantes. Torga de planta. Miguel Torga de telúrico desde há cem anos.
Foi um sonho que eu tive:
Era uma grande estrela de papel,
Um cordel
E um menino de bibe
O menino tinha lançado a estrela
Com ar de quem semeia uma ilusão
E a estrela ia subindo, azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.
Mas tão alto subiu
Que deixou de ser estrela de papel.
E o menino, ao vê-la assim, sorriu
E cortou-lhe o cordel
Foi um sonho que eu tive:
Era uma grande estrela de papel,
Um cordel
E um menino de bibe
O menino tinha lançado a estrela
Com ar de quem semeia uma ilusão
E a estrela ia subindo, azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.
Mas tão alto subiu
Que deixou de ser estrela de papel.
E o menino, ao vê-la assim, sorriu
E cortou-lhe o cordel
sábado, agosto 11, 2007
O blog a baixa do porto dá nota do documentário Miguel Torga, o meu Portugal a rodar amanhã (dia 12) pelas 21h15. A não perder, mesmo!...ainda se vai produzindo televisão a norte...
Eu chamo a atenção para o seguinte: (o estimado) professor de Produção Audiovisual da U.M. e realizador Ângelo Peres.
Eu chamo a atenção para o seguinte: (o estimado) professor de Produção Audiovisual da U.M. e realizador Ângelo Peres.
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