um weblog sobre literatura, viagens, momentos, poesia, sobretudo, sobre a vida. enfim, um weblog com histórias dentro.

sábado, junho 28, 2008

devaneios I



Dentro dos olhos o mundo naufraga. O mar agita-se em instrumentos de acordes incertos. Naufragar é viver - diria Pessoa.

C. encolhe-se na vergonha mentida do seu olhar. Não sei se é ele quem não é igual ao mundo, ou se é o mundo que não é igual a ele. Não sei se é ele quem não se adapta ao mundo ou se é o mundo que não se adapta a ele. Não sei se é ele quem não tem sensibilidade para o mundo ou se é este que lhe não oferece sensibilidade. Não sei se é C. quem deriva nas margens do mundo, ou se é o mundo a marinar nas margens de C. Não sei se é ele zangado com o mundo, ou este zangado com o outro. Não sei se é C. quem não dança com o mundo, ou o mundo que não dança com ele.

Não sei se sou quem lê errado nos olhos, ou se são os olhos que mentem.

terça-feira, junho 24, 2008

Voltei...


[Brick Lane, Junho de 2008]

Nesta cidade tem de se entrar devagar, para que ela também vá entrando em nós devagar. O Porto tem uma alma, muito sua e muito especial. E as cidades que têm uma alma não são lugares de passagem: são navios naufragados, à espera de um caçador de tesouros.

Miguel de Sousa Tavares

[consultando agora o relógio até passou rápido=)]

quarta-feira, abril 02, 2008

são três e meia da manhã e o relógio dói no pulso. adivinha-se o destino dos ponteiros. profetizam-se sonhos com prazo. acelera-se o silêncio. e bate-se contra a madeira.

venho já.

sexta-feira, março 21, 2008

Feliz Primavera!

quinta-feira, março 20, 2008

...quem dera...

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Pessoa

segunda-feira, março 17, 2008

há uma manhã pintada a pôr de sol que cresce desde a ponta dos pés até à ponta dos cabelos, rebola pelas costas e só termina numa noite clara.

quinta-feira, março 13, 2008

fotografia antecipada

O sol escorrega pela rua como um tapete na madeira da sala ampla, onde uma televisão faz barulho. Uma criança corre pela infância dos carros, esboça o corpo pela felicidade. Um homem ergue um jornal com estórias tristes, outras assim-assim, e outras menos tristes. Uma mulher leva a roupa molhada num estendal muito além da sua altura.

Os vizinhos gritam. Os carros são os mesmos. O café continua no sítio. O cheiro do mar sobe ao nariz, e o arroz de polvo espalha-se pela mesa.

Depois, no teatro, ainda cabe o café com aquele biscoito. Alguém sacode as migalhas para o bem dos pássaros. O carro lança-se pela mesma rua, onde o sol escorrega até encontrar dois pares de vidas, sentados onde se sentam as flores. Aí nascem beijos e abraços e palavras proferidas a lápis de cor.

Quando o sol enrola-se rua fora, e desaparece por fim, e quando a noite ganha vez, o cobertor embala várias vidas numa só: são 4-4.

sábado, outubro 13, 2007

Eternal Sunshine of the Spotless Mind

não sei bem se preciso de um «ethernal sunshine» ou de um «spotless mind».

quinta-feira, outubro 11, 2007

a m e l i e

O extraordinário acontece.

sexta-feira, setembro 14, 2007

homesick

someone who needs somewhere

london-calling-joana

[eu vou estar ali a pintar fotografias que os meus olhos dançarinos gravam. volto sempre que o meu planeta chamar]

quinta-feira, setembro 13, 2007

The Clash - London Calling

Londres é um poço sem fundo.

terça-feira, setembro 11, 2007

Morre lentamente aquele que não arrisca o certo pelo incerto. Quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.

Pablo Neruda

[eu acho que levo a poesia demasiado a sério. e não devia]

quinta-feira, setembro 06, 2007

às vezes quando ela caminha na rua não só é anónima, como também invisível. tal como o seu coração.

terça-feira, setembro 04, 2007

wear sunscreen...

segunda-feira, setembro 03, 2007

...

we can be us just for one day.

sábado, setembro 01, 2007

quinta-feira, agosto 30, 2007

Eu hei-de amar uma pedra

Foi com o dia a terminar no horizonte que me lembrei de ti. Do grito que esvoaça a cada novo morrer. Da probabilidade. Do medo. Da perda.

Estás velho. Já caminhas pela vida, porque ela ainda não acabou contigo como acabou comigo. Foi com o som estridente de um piano gasto, em dó maior, que me ensinaste, a sair fora de mim, para entrar de novo em mim - do lado inverso.

De facto, as tuas rugas assustam-me: antecipam-me a morte. E só de te olhar sinto-te a falta. De ti e das tuas coisas e palavras e sentidos.

Incomoda saber que te percorro os passos. Os que te levarão ao cemitério, onde repousarás, debaixo de uma pedra. As flores serão saudade. E essa pedra uma vertigem.

"Eu hei-de amar uma pedra"

segunda-feira, agosto 13, 2007

Fui para os bosques viver deliberadamente. Queria viver profundamente e sugar o tutano da vida. E, não, quando morrer, descobrir que não vivi.

in Clube dos Poetas Mortos

Nem sempre a cadeira é o lugar mais privilegiado para se ver o mundo. Para vê-lo é preciso ousar subir mesas, telhados, descer a caves, condutas. E nem sempre a cadeira é o lugar mais seguro.

domingo, agosto 12, 2007

Miguel de Cervantes. Torga de planta. Miguel Torga de telúrico desde há cem anos.


Foi um sonho que eu tive:
Era uma grande estrela de papel,
Um cordel
E um menino de bibe

O menino tinha lançado a estrela
Com ar de quem semeia uma ilusão
E a estrela ia subindo, azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.

Mas tão alto subiu
Que deixou de ser estrela de papel.
E o menino, ao vê-la assim, sorriu
E cortou-lhe o cordel

sábado, agosto 11, 2007

O jogo nem tinha começado e eu pressenti: o campeão vai perder.

[eu sou portista]