um weblog sobre literatura, viagens, momentos, poesia, sobretudo, sobre a vida. enfim, um weblog com histórias dentro.

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Lisa Ekdahl chegou-me aos ouvidos através de uma amiga - estava ainda na bruma de Londres. Partilho I will be blessed, ali ao lado, para bafejar 2009 com sorte, já que a gripe anda ai...

terça-feira, dezembro 30, 2008

O desemprego sobe a galope, a acompanhar a batuta da crise.
E ouço dizer de quem trabalha, de quem ganha o pão [como se costuma dizer], de quem é profissional:

"Vai assim, e quero lá saber".

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Em tempo de festividades: boas festas!

Cá vai:

Feliz Natal e um próspero Ano de 2009!

É o que o planeta deseja.

terça-feira, dezembro 09, 2008

A. De novo.

De novo A. calcorreia a rua deserta de branco, suja de silêncio. De phones nos ouvidos. Dirige-se a outro mundo. Entra na hora de ponta. De sonhos. Completa a leitura dos passos com as pegadas de um coração esmagado. Sopra ao silêncio na tentativa fugaz de o fazer desaparecer. Tropeça e não caí [salvou o pára-arranca da hora de ponta dos sonhos]. A música toma conta dele, educa-o, conta-lhe estórias - desmaia na sua cabeça. A. enrola-se na borda do passeio, e revê a preto e branco a cor dos sonhos que se agregam no cruzamento nº 7 da hora de ponta. Pára-arranca. Stop. Sinal de cedência de passagem. De prioridade. Rotundas, muitas.
Na borda do passeio revê o poema que lhe pintou a vida. Foge da borda do passeio. O trânsito acalma. Mau sinal. A música muda de faixa, que muda de música. Já não é pára-arranca. Fluí. Escoa. No stop. Sinal de cedência de passagem. De prioridade. Rotundas, muitas. Vira na rua deserta de preto, suja de barulho. Acorda, adormece. Depende dos acordes. Repara. Olha. Vê. Nada: já circula muito rápido. Falhou um estacionamento. E outro. E outro. E tantos. A música muda de faixa, que muda de música. Esquece o poema. Tropeça e caí.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

É isto mesmo!

“Uma vez, na televisão, o Miguel Sousa Tavares perguntou-me porque é que eu não tinha inimigos. Eu respondi que um inimigo dá muito trabalho. Quando nas andanças da vida, alguém é desagradável comigo, deixo-o cair e não perco tempo com ele, muito menos a odiá-lo. Isto não é por bondade, é por gestão das minhas energias e, também, como já tenho dito, porque procuro ter uma visão estética da vida e o ódio e a agressividade são coisas muito feias”.

António Alçada Baptista in A Cor dos Dias, Memórias e Peregrinações

Escritor e editor, morreu ontem, aos 81 anos. Está, deste modo, justificada a chuva do fim-de-semana.

O futebolista vencedor da bola de ouro disse:

"O jogo contra o Brasil foi a brincar".

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Se não for pelo outro, que seja por ti!

Save Our Planet, please!
Artigo do P2 do Público de ontem (via Jornalismo e Comunicação)

"...os mais velhos têm uma ideia do jornalismo como uma missão que se cumpre de serviço público, e também como uma tribo, com laços de solidariedade muito fortes, exportam para fora da redacção as relações de amizade”. Em contrapartida, no caso dos mais novos, é muito diferente a forma como encaram o ofício: “Exercem o jornalismo como uma profissão, com horário de entrada e saída, reclama-se uma estruturação mais completa da profissão e uma regulação maior do acesso.” As amizades fazem-se também “lá fora, na busca de deixar as preocupações na redacção e de ter um espaço para outras ocupações."

Concordo. Todavia, mesmo os (jornalistas) da velha-guarda andam-se a moldar nesta vertente trazida pelos da vanguarda. Parece-me (em olhar distante) que a velha-guarda jornalística informa cheia de vícios. Com mais vaidade do que humildade. Alheada ao mais importante da profissão: o público e ao que este acarreta em termos de responsabilidade social. Alheada aos interesses do público. Quer-me parecer que a leitura deste interesse está fosco. Mas, claro, esta é a voz da vanguarda a falar. E, hoje em dia, a voz da vanguarda pouco vale, porque, como se costuma dizer, "a idade é um posto" ... a velha-guarda...

terça-feira, dezembro 02, 2008

O planeta e o prémio Dardos

Esta borboleta é louquinha [tal como a Andorinha Sinhá, do Amado], vai daí, atribuíu-me o prémio Dardos, que anda ai ao rubro entre blogues. Já foi em Outubro, mas só agora comecei a acordar para a minha órbita com olhos de ver. Vi os voos da borboleta durante a limpeza matinal do planeta.
Cá vai:


O Prémio Dardos reconhece o valor de cada blogger ao transmitir valores culturais, éticos, literários ou pessoais e que de alguma forma demonstram a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto naquilo que escrevem. Por outro lado, esta é também uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.

Quem recebe o Prémio Dardos e o aceita deve seguir algumas regras:
1 - Exibir a imagem;
2 - Linkar o blog pelo qual recebeu o prémio;
3 - Escolher quinze outros blogs aos quais entregar o Prémio Dardos.

Como prezo a órbita ali do lado, e para lançar o caos [o caos respira imagem, dizia o Bacon] e como, para mim, a minha lista (e, por isso, é a minha lista) "transmite valores culturais, éticos, literários e pessoais", o prémio Dardos é para a lista.

sábado, novembro 29, 2008

& II

dias há que se mora cerrada numa fotografia. daquelas mencionadas por Roland Barthes na sua Câmara Clara. que se morre e vive para sempre, ao mesmo tempo. sim, é possível viver e morrer para sempre e ao mesmo tempo. ficar dentro do rectângulo da fotografia imortal. acontece nos intervalos de tempo. nos períodos dos ponteiros. quando se assiste displicente ao correr dos dias. da vida.

sexta-feira, novembro 28, 2008

Um Café

Um café no feminino traduz-se em revista.
Blend de vários sabores, a nascer de várias culturas, mais escuro, um bocadinho mais claro, menos torrado, mais torrado. Quente, morno, frio. Um restinho no fundo da chávena. Ou a roçar a borda. É uma revista assim. Feita para beber e acordar. Viver, sobretudo.

Em Serralves, nos chamados cafés culturais, como o Gato Vadio. Ela anda por ai, a fazer gemer o Porto. Tem óptimos escritores, e estórias do arco-da-velha.

Eu dou o meu contributo com a Poesia Maldita. O mérito é todo do Tomás Carneiro.

quinta-feira, novembro 27, 2008

H

de Herberto Hélder

a acerba, funda língua portuguesa,
língua-mãe, puta de língua, que fazer dela?
escorchá-la viva, a cabra!
transá-la?
nenhum autor, nunca mais, nada,
se a mão termica, se a técnica dessa mão,
que violência, que mansuetude!
que é que se apura da língua múltipla:
paixão verbal do mundo, ritmo, sentido?
que se foda a língua, esta ou outra,
porque o errado é sempre o certo disso


excerto de A FACA NÃO CORTA FOGO

quarta-feira, novembro 26, 2008

Acho que nunca apreciei tanto trabalhar as 8 horas diárias como agora. Ou até 12.

segunda-feira, novembro 24, 2008

A maioria dos políticos envolvidos no caso BPN é PSD.
A maioria dos políticos envolvidos no caso Casa Pia é PS.

quinta-feira, novembro 13, 2008

respira fundo. respira fundo. respira fundo.

outra vez. vá, tu consegues.

respira fundo. respira fundo. respira fundo.

afinal, sabes escrever e falar. à partida é fácil. mas o que é simples não se torna complicado?

[falta pouco para me refugiar numa canção dos sigur rós - onde tudo é maresia azul]

quinta-feira, novembro 06, 2008


Quando olho o ceú sinto vertigens.
Antídoto: voar!

quarta-feira, outubro 29, 2008

NOSEGREDO

O único segredo partilhado.

As minhas melhores amigas que são estilistas, ou melhor, designers de moda [pelos vistos não é a mesma coisa...faça-se jus à diferença] acabaram de abrir o atelier de Noivas e Moda mais extraordinário de todos os tempos, do mundo inteiro, de Portugal, da zona Norte e do Porto e de Paços de Ferreira. Não, não estou a exagerar.

Portanto, meninas e meninos, noivas e noivos, enamorados, casadoiros, pessoas com fetiche com vestidos de noiva, lingerie, moda urbana, rufem os tambores porque já têm onde partilhar o vosso segredo. Onde? Nosegredo, por Ana Paula Aguiar e Natália Brandão: nosegredo@gmail.com/ R. das Uveiras, 105A - Paços de Ferreira. O blog está em processo de incubação.

sexta-feira, outubro 24, 2008

Português aprende português [em Londres]


[José Carlos Farinha, Maio de 2008]

A manhã está como a maioria das manhãs em Londres – de nevoeiro – mas António brilha e sorri no meio da bruma e da multidão, que num sábado assola o British Museum, na tentativa de resgatar para o presente os antepassados históricos do mundo. No pátio do museu, António, que conta este ano 30 anos, perde-se entre as gigantescas colunas, a imitar a Grécia Antiga, e deixa-se confundir nas camisas brancas de homem. É um rapaz pequeno, magro, de sorriso largo e um brilho que parece afectar a habitual neblina londrina. Realça-se. Ana, de 26 anos, não o larga de vista e acompanha-o no seu passo pesado e martelado. Ambos riem muito. Dirigem-se para a London Review Bookshop, umas das muitas livrarias da Grande Londres, e lá dentro perdem-se nos títulos. Ana conhece a dança das letras na capa de cada publicação. Já António esforça-se por contabilizar o abecedário, somar as letras para perceber essa dança.
Ana e António contam 17 lições de português e a desenvoltura do aluno para a gramática de Camões está de vento em poupa. Ana, a professora, e António o aluno.

Retrato de uma luta
António nasceu e cresceu na Madeira até aos 17 anos, depois “abalou para o Seixal”, na região de Lisboa, onde viveu até o ano passado, altura em que decidiu arriscar a vida em terras de sua majestade. Corajoso, rumou até Londres, mas primeiro “trabalhou, trabalhou, trabalhou”. Na cidade que nunca dorme arranjou trabalho numa empresa de limpeza, e através desta, foi trabalhar no consulado português. Foi aqui onde conheceu Ana – quem lhe viria a ensinar como se escreve a língua dos poetas portugueses, o idioma que nasceu e cresceu com ele, mas que a sua aprendizagem “é pouco valorizada na ilha” – como conta António. Cresceu sem ler ou escrever. As palavras saíam da boca como crónicas de som.
Ana ensina o abecedário a António, e a contrapartida é a evolução que o aluno português de português apresenta.
Duas horas por semana é o suficiente para António ser hoje capaz de enviar uma simples sms. Uma batalha. Uma batalha que Ana combate todos os dias. “Não são apenas as duas horas de aulas. Envio-lhe sms’s para avaliar a capacidade de resposta, para o fazer ler e ter empenho a escrever”, conta. Aliás, como as novas tecnologias são a sombra de cada dia, ensinar português traduziu-se por também adestrar os programas de comunicação virtual: o skype, o MSN, e claro, endereço de e-mail.
A última novidade na casa de António é um computador portátil: “Estou aprender a manejar o bicho” [risos].
Ao aprender português, António não só contraria o que diz ser constante na Madeira – o analfabetismo - como também conquistou a sua privacidade. Na adolescência, confessa, era a irmã quem lhe valia para escrever cartas de amor. “Uma vergonha”, recorda António, ao mesmo tempo que tapa os olhos com as mãos. As raparigas por quem se apaixonava recebiam cartas que teriam já sido lidas, numa espécie de lápis azul, no entanto com um objectivo adjuvante. “Toda a minha correspondência era recebida pela minha irmã”, diz.
Numa família de sete filhos, António é dos mais novos, e como tal “já não era necessário aprender a ler e a escrever”. As actividades piscatórias que orientam o sustento da sua família necessitavam do trabalho de António, e como destaca, “basta um ou outro elemento de cada família na ilha ler e escrever, o resto tem de ajudar nas tarefas de trabalho”.

Objectivo: até ser capaz “de ler sozinho”
É no consulado português que Ana vasculha todo o tipo de recurso para ajudar nas aulas de português do seu aluno: todas as publicações do ensino básico são material premente. Conheceu-o nos corredores do consulado. “Vi um rapaz tímido a tocar-me o braço e perguntou se era professora, se estaria disponível para lhe ensinar português”, lembra.
Ana estudou História nos auditórios de Coimbra entre 2001 e 2006. O ano passado rumou até à Grande Londres, onde dá aulas privadas de português, e onde conquistou o documento britânico que lhe permite ensinar no Reino Unido. Com 26 anos, e apenas há um ano em Londres, Ana pode leccionar no ensino público inglês e está inteiramente activa dentro da comunidade portuguesa, participando em projectos que visam a total integração de portugueses dentro das fronteiras britânicas. Para já, o grande desafio é insistir no A B C do António até que “seja capaz de ler sozinho”.

domingo, outubro 19, 2008

&

Há uma hora em que o relâmpago se incendeia no peito e as cores ganham cor de cores e se desenha um arco-íris. Apaga-se a dor, e troveja uma felicidade enganadora, além deste mapa que projecta um corpo esquecido. Tudo são energias de enganos fulminados pelo céu zangado, preso a um coração que apodreceu porque viveu de mais. Viveu além de mim. O incêndio permanece sempre nos púmbleos passos. Taciturno momento presente nos subtis arco-íris.

sábado, outubro 11, 2008

'a cada enxadada, uma minhoca'

Custa-me ver bons profissionais do jornalismo - que não exercem a profissão - sentados no sofá [e nem falo de mim] a ver as notícias na televisão; ou melhor, o desfilar do descalabro jornalístico.

No Jornal Nacional da TVI de hoje (de há pouco) disse a jornalista que "dois assaltantes de raça negra..."

Aquela citação causou-me tamanha naúsea que nem ouvi o resto. Apenas abri a boca de espanto, e foi tanto o espanto, que até a minha mãe ficou curiosa sobre o meu 100% espasmo.

Raça negra? Não ficaria melhor anotar 'origem africana'? Aliás, qual a razão para mencionar a "raça"? Mas aquela jornalista esqueceu-se dos dez pontos do NOSSO código deontológico?

[Como diz a minha avó: Valha-nos Deus]