um weblog sobre literatura, viagens, momentos, poesia, sobretudo, sobre a vida. enfim, um weblog com histórias dentro.

terça-feira, março 20, 2007

Da serenidade

[Olhares]
Às vezes, tantas, imagino-me assim - com tanto que fazer, limpar, arrumar, escrever, falar, telefonar, alinhavar, projectar, viver, aprender - deserta de afazeres, inóspita de acções. Tenho saudade de ser pequena e estar sentada a balouçar os pés num chão que não me chega.

domingo, março 11, 2007

11 de Março

Estava em Amesterdão, quando ouvi de Madrid, o estrondo do que seria o «grande atentado terrorista» na Europa. "Los terroristas", gritava Toni pelos corredores da Kiezel [residência de estudantes]. Apressámo-nos todos para a televisão da cozinha comum. As imagens atiçavam nos espanhóis lágrimas de desespero. Não demorou até os telemóveis se exibirem. "Que tal?". A resposta aparecia no ecran da "telé". Palmadas nas costas, dos que longe da pátria, versavam tormentos. E nós, com preocupação «colateral» animavamos como podíamos os amigos. "No passa nada". "Graças a Deus", suspiravam muitos. Passou. Mas a frase de Toni ficou na memória, que a páginas tantas disse: "Puez que es normal, tenemos la ETA".

quarta-feira, março 07, 2007

Da desilusão


[Michael]
Não tem palavras.

domingo, março 04, 2007

Do facto

O amor é sempre o mesmo. As pessoas é que mudam.

sábado, março 03, 2007

Salas de consumo assistido

O tema está lançado. Parece-me que a sociedade portuguesa tem um novo assunto nas mãos e não pode escapar ao diálogo. A toxicodependência é um dos grandes problemas sociais e a todos diz respeito. Não admira que as salas de consumo assistido - vulgo salas de chuto - se possam posicionar no mesmo patamar que a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG), e conhecer o seu juízo final em referendo (!?). A Organização das Nações Unidas (ONU) tem parecer desfavorável, como demonstrou na passada quinta-feira através do relatório elaborado pelo Órgão Internacional de Controlo de Estupefacientes (OICE) - dependente da ONU. No entanto, Júlio Pardo, profissional de saúde espanhol, que integra a Organização dos Médicos doMundo (OMM), esteve ontem no Porto, para dar a conhecer o exemplo de Bilbau, Espanha - onde se localiza aquela que foi a primeira sala de consumo assistido na Peninsula Ibérica -, e ressaltou os benefícios dos centros para inalação/injecção assistidos.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

80 anos


[Jonne Roriz]


O meu querido avô completa hoje a maratona dos 80 anos. E bem saboreados!...Um xiii enorme para ti. Uma vez mais sinto as rugas animadas das tuas mãos. Parabéns pelos 80, e sobretudo por seres quem és - único, tantas vezes!

sábado, fevereiro 24, 2007

Obrigada Paula



[Paula, por Natália Brandão, in Olhares]

Obrigada Paula de todos os meus dias. De muitos dias. De todas as estações. Desde há muito.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

O auto do alto



[Olhares]

Que astro é este que me segue e não me ouve? Que me guarda e me contradiz? Que me finta?

domingo, fevereiro 18, 2007

Hey Jude, The Beatles

Às vezes vemos os dias às avessas. O tempo anda a uma velocidade alucinante. Rápido demais para corações frágeis. O tecto cá em baixo e o chão lá em cima. Não é suposto!
Resta-nos a sensatez de frases abertas, pensar...isto passa, passa sempre...ou então vasculhar músicas que nos dizem alguma coisa. Gritar com elas. Ou com ela:

Hey Jude don't make it bad, Take a sad song and make it better, Remember to let her into your heart

E lembramos sempre. Escorremos a torrente de água calejada numa cara de abandono. Basta - tenta-se impingir. E forçamos uma verdade necessária.

Than you can start to make it better Hey Jude don't be afraid, You were made to go out and get her, The minute you let her under your skin, Then you begin to make it better

E navega-se. Só. Vivemos cá dentro, tomamos as vitaminas de umas saídas e injecta-se copos...para esquecer...dizem os conselhos. Os mesmos que percorreram a maratona da dor.

And any time you feel the pain, Hey Jude, Don't carry the world upon your shoulders, For well you know that it's a fool who plays it cool, By making his world a little colder, Da da da da....

E tudo se aclara. Sacode-se o mundo. Afinal, o problema reside mesmo na bola azul, onde convivem, sem agrado, diferentes regras, cores, cabeças. Vomita-se o pior, abraçam-se novos cheiros.

Hey Jude don't let me down, You have found her now go and get her, Remember to let her into your heart, Then you can start to make it better

A poção mágica. Vá lá, faz a vontade aos conselhos, ou eles chateiam-se de ti...

So let it out and let it in Hey Jude begin,You're waiting for someone to perform with, And don't you know that it's just you, Hey Jude you'll doThe movement you need is on your shoulder Da da da da ...

Rendemo-nos à clarividência do outro. Reza-se por ai. Apresentam-nos uma tabela com o bom e o mau. A loucura é sempre nossa. And don't you know it's just you. Oh Judes do mundo, no fim, somos sempre nós. Sós. E não sabíamos.

Hey Jude don't make it bad, Take a sad song and make it better, Remember to let her under your skin, Then you'll begin to make it better better better Da da da da da da da... Hey Jude...

Resta um último grito de dor. Cuspir tudo cá para fora. E sim, e lembra-te, o mundo não foi feito para estar pousado nos teus ombros, antes, para tu estares pousado no mundo. Só tu. E assim farás melhor. Diz-se.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

O Correio da Manhã avançou hoje que um administrador da REFER terá sido despedido, indemnizado, e, novamente contratado, para exercer funções na RAVE - outra empresa da CP.

É só mesmo isto. Não tenho mais palavras.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

- Sim 59,2
- Não 40,7
- Abst. 56,4
- Nulos/Brancos 8,8

in O Primeiro de Janeiro

Confesso que fiquei surpreendida (e satisfeita) pelo SIM ter ganho. Contava que mais uma vez, num país triste, folhas de desenvolvimento continuassem a cair, porque temos paredes demasiado altas para avistar o horizonte. Seja como for, não era motivo para festejar. Impressionou-me as palmas e as bandeiras, como se de uma partida de futebol se tratasse. A partir de agora o SIM só terá valor se se fizer alguma coisa por ele, e no sentido contrário a ele. Do mesmo modo que são precisas clínicas devidamente autorizadas e legais para combater o aborto clandestino, é preciso apostar e acarinhar a maternidade com subsídios em condições.

Para a abstenção, para aqueles que se estiveram nas tintas, uma nota que vem escrita no Apocalipse:

Amaldiçoo-te porque não és frio, nem és quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, como és morno, vomitar-te-ei da minha boca.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Parabéns, Catarina!

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Eu tenho um gosto quase infantil em ir ao cinema. É uma emoção aconchegar na cadeira, perder a intensidade da luz de vista, iniciar a projecção no ecran gigante. É uma infantilidade que sabe bem.

sábado, fevereiro 03, 2007

Picheleiro vs. M. da Educação

Coitado do sr. Manuel, picheleiro, que ia fazer um serviço ali prós lados da Câmara do Porto...não fosse a sra. ministra da Educação estar pró mesmo lado em reunião [of course], o sr. Manuel teria feito o seu serviço.
Mas o barulho martelado, sem fim, da broca na parede era um incómodo para a sra. ministra. E reuniões de brainstorming não se interropem assim de qualquer jeito.

Tenha lá paciência sr. Manuel...volte segunda, e faça o serviço que não requer tal brainstorming. Qual brainstorming, qual carapuça...quem vai pagar o transporte e o tempo [outra vez] do sr. Manuel!?...Não se preocupe com isso vá tomar um cafezinho, depois a gente fala...

Movimento Inter-reformados pelo sim

A minha mente anda formatada acima do que deveria andar [culpa minha].

Na Baixa do Porto, um grupo de velhinhos aproxima-se e entrega-me o seu papel de campanha da IVG...e eu pensei logo... velhinhos, católicos, igreja, não....peguei no papel por educação, e li um grande SIM e dez razões pelo SIM ao referendo que se aproxima. Devo dizer que foi um momento de satisfação...

[apesar dos debates correrem magrinhos de esclarecimento e cansarem um pouco]

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Este blog é a favor da IVG.

domingo, janeiro 28, 2007

Take me home/Tom Waits

Viver dentro desta música. De olhos vendados para não correr o risco de entrar luz.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

«Universal é o local sem muros».

Miguel Torga

sexta-feira, janeiro 19, 2007

porque eu só quero estar onde eu não estou
porque eu só quero ir onde eu não vou

Isto é realmente humano.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

A partir de agora os excessos de luxo não vão ser declarados no IRS. Vão passar para os notários, dizem eles.
Metem a pata na poça, e depois atiram areia para os olhos do povo.

O lixo dos famosos

A Pública dedica uma página ao lixo dos famosos. Ou seja, na coluna, a revista dá a conhecer o melhor (ou pior) do que atiram os famosos para o caixote do que já passou do prazo. No domingo a personagem-alvo era o Harold Reagon - o nome dispensa apresentações. E, voilá, o famoso tinha um bilhete da lotaria no cesto do lixo. Paradoxos da vida!

quarta-feira, janeiro 10, 2007

O pensamento

Tinha dois caminhos.
Escolhi o menos percorrido.
E isso fez toda a diferença.

Robert Froust

domingo, janeiro 07, 2007

Miyazaki e Kitano

Estou perdidamente apaixonada por filmes japoneses e mais ainda pelos realizadores. Hayao Miyazaki e Takeshi Kitano são os responsáveis. Uma ternura cada segundo de cada película. Pena que seja tão pouco editado em Portugal. Se tiverem oportunidade leiam na wikipédia acerca daqueles dois fascinantes homens e procurem na net os filmes.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

sábado, dezembro 30, 2006

in a manner of speaking - Nouvelle Vague

Estás aqui, sem estares. Gosto de encontrar repostas em ti. O teu corcodilo verde dá-me silêncios que ouço. Caminhar solitário numa rua mergulhada em sol ingrato.

terça-feira, dezembro 26, 2006

2007

The show must go on.

terça-feira, dezembro 19, 2006

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Afinal quebramos os dois.
É quase pecado deixar...
É quase pecado ignorar...

Toranja

terça-feira, dezembro 12, 2006

Ontem conheci uma correspondente do Le Monde. Mais tarde, conheci duas velhinhas, e um sem abrigo. Eu só conheço pessoas porreiras.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Arranquei-me o coração.
Os sentidos.
Arranquei-me desta vida.
Coloquei-me no invisível.

Desperdiço tempo, vontade e esperança.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

No passado sábado fui à festa, porque a Ana está mais velha - está uma mulherzinha;) A Ana não se importou, mas a atracção principal da festa foi a casa-de-banho. Sim, a CASA-DE-BANHO. Era um verdadeiro rodopio em torno da CASA-DE-BANHO. E imaginem que todos que lá iam sabe-se lá fazer o quê, lembravam-se de mim. DE MIM. Porque era, de facto, a mais bonita casa-de-banho de sempre. Na parede de cada lavabo para cada sexo lá estava o PRINCIPEZINHO. Só confirma que o pequeno está sempre nas nossas vidas, seja qual for o momento ou o local. Quadros do Principezinho na casa-de-banho...nem a mim me passou pela cabeça...mas que fica bonito lá isso fica!

terça-feira, dezembro 05, 2006

Pulp - Disco 2000

E pronto. É isto.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Só o que não nos pertence nos completa

[foi um daqueles filósofos que pensou]

domingo, dezembro 03, 2006

Paper dreams, honey.

sábado, dezembro 02, 2006

O sol que, hoje, a medo verte é ingrato com os que estão cabisbaixo.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Num destes dias liguei a televisão na BBC e lá estavam, um entrevistado e o entrevistador. Não me lembro sequer sobre o que discutiam. O que quer que fosse não abonava nada a favor do entrevistado. O jornalista sobrepunha-se ao entrevistado, e este esperneava, não queria responder. E o jornalista teimava. E o outro respondia, contrafeito.
Isto para dizer, que se esta cena fosse filmada em Portugal, seria ao contrário: o jornalista contrafeito engolia as perguntas, porque o entrevistado esperneava arrogante e fugidiamente.
Considero a actual lei [sobre o aborto] equilibrada.
Marques Mendes

Como disse!?... Equilibrada!?

domingo, novembro 26, 2006

Portugal está ficar como uma árvore de Outono despida.
Mário Cesariny morreu, e eu morri hoje com ele.

Entre nós e as palavras há metal fundente,
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais últil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precípicio ...

you are welcome to Elsinore, Mário Cesariny

sábado, novembro 25, 2006

Hoje apercebi-me que a parte do crescer está ultrapassada. Acerca-se a parte do envelhecer. O que também é bonito, por natureza e excelência.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Segundo a Lusa, José Luís Peixoto avança para mais enredos melancólicos. Nas próximas segunda e terça-feira, o escritor de "Morreste-me", "A Criança em Ruínas", entre outras (excelentes) obras vai apresentar em Lisboa e no Porto "Cemitério de Pianos".
Nas palavras de José Luís Peixoto, neste romance, o tema central é a transcendência, na medida em que a morte não surge aqui como fim absoluto, mas para mostrar que- apesar dela - as pessoas continuam a existir naquilo que deixaram de si.
Não se admirem, se nos próximos tempos me transcender por aqui. Para já, vou-me rendendo a Pedro Paixão nos pequenos contos de um "Amor Portátil" [graças à Tânia].

quarta-feira, novembro 22, 2006

terça-feira, novembro 21, 2006

Back to reality.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Lisboa podia ser a namorada do Porto. Ou será que já é!? Ou é aquele tipo de amor-desamor!?

domingo, novembro 12, 2006

Como é bom receber o Amor em alegria.
Talvez se o Amor aqui estivesse todos os dias e todas as horas,
Passasse despercebido
[ou morresse mais depressa]
Assim, Ele caminha calmo como o vento sereno de uma manhã de Primavera
[estação de todo o ano]
A partir de amanhã vou ser um bocadinho mais alegre. Vou viver numa só linha, percorrida a dois.

Teatro

Sinto falta do teatro. Preciso dele.

sábado, novembro 11, 2006

Hoje ouvi na TSF uma música de Sérgio Godinho, nunca dantes por mim ouvida. Soltava-se assim:

...amor, amor, amor....

e depois, o músico sobrepunha:..da morte volta sempre em vida...

sexta-feira, novembro 10, 2006

O semestre mais proveitoso da minha licenciatura foi o primeiro semestre do 4º ano. O professor de jornalismo era/é um grande jornalista e professor ligado ao meio da comunicação social. Recordo-me de explicar, na sala de aula, muitas e tantas vezes , que o editor num jornal tem o papel de conselheiro, de comandante, que se caracteriza por um espírito de entreajuda. Das duas uma: ou eu percebi tudo mal, ou isto na prática funciona de modo diferente.
Hoje comecei as minhas actividades a nado. É verdade, a natação inclui-se na minha vida, premeditadamente. O que mais gostei (ou não) foi da literatura dos balneários - aquela que os gatos fedorentos deram a conhecer...

quinta-feira, novembro 09, 2006

Estou a ler a Fada Oriana de Sophia de Mello Breyner Anderson ao meu mano (de cinco anos). O livro dormia na estante, quando ele começou a folhear e pediu-me para ler. Estou no capítulo da Oriana e do Peixe. Estava eu a ler o diálogo entre os dois personagens, e o meu irmão atira zangado: "Os peixes não falam". E eu pensei: "Mas ouvem". Às tantas deveria ler-lhe O Sermão de Santo António aos Peixes.
Nos últimos dois dias sempre que tentava aceder ao meu bloco virtual - o blog - a página aparecia branca. E eu receosa pensei que ele tivesse ido comprar tabaco, e nunca mais voltasse. Eu ensinei-o a ser independente, mas não tanto. Agora parece estar tudo bem!

domingo, novembro 05, 2006

A entrevista que a Notícias Magazin (nm) publica hoje com Eurico Reis, juiz-desembargador no Tribunal da Relação de Lisboa, que foi por dois mandatos presidente da Comissão Profissional dos Jornalistas, é bastante interessante para quem aprecie temas como o jornalismo e a justiça.

Um excerto: "Choca-me haver quem pense que os jornalistas são ingénuos, idiotas ou incapazes a ponto de um qualquer artista de variedades lhes poder dar a volta; haver quem pense que vocês comem toda a papinha que vos derem".

sábado, novembro 04, 2006

Muda de Vida...

O meu planeta andava insatisfeito e pálido. O verde já parecia incolor. Ao virar de uma qualquer esquina, apercebi-me que estava na altura de remover a maquilhagem e aplicar outra. Isto de andar sempre na mesma não dá com nada, por isso comprei-lhe azul com um bocadinho mais de branco. Ele está mais alegre, e eu mais motivada. Espero que gostem...
O Diabo Veste Prada

Gostar ou não gostar. Eis a questão!

quinta-feira, novembro 02, 2006

Maria Anadon & Five Play In a Jazzy way

Para quem gosta de Jazz o quinteto Maria Anadon é uma delícia. A Anadon é portuga, a pianista e baixista japonesas, a baterista americana, e no saxofone uma israelita. Uma miscelânea como eu gosto. Vão estar até dia 5 no casino de Espinho. Hoje vi-as na Fnac. Umas senhoras e pêras. Se quiserem ser um pouquinho mais alegres, ouçam isto de olhos fechados e com o corpo solto....vá lá, até dia 5!

terça-feira, outubro 24, 2006

Eu descobri uma maneira de falarmos sozinhos sem, no entanto, pensarem que somos loucos. Andamos de "phones" colados nos ouvidos. Assim, podem pensar que estamos a cantar, ao invés de balbuciar palavras daquelas loucas.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Dizem que o Jorge Palma é um vagabundo, que já andou pelos nomeados "maus caminhos". Ainda bem. Se assim não fosse, eu não gostava tanto dele como gosto. Aquele homem acende a paixão que, às vezes, por tropeços do dia se desvanece. Ontem fui vê-lo (à borla ou grátis, como preferirem) no Palácio de Cristal. Talvez a única iniciativa da Câmara que participei. Mas isto é o menos. O mais são as cores que se pintam cá dentro a cada grito maluco que ele, o Palma entoava. Lembro-me dele na minha infância - tive essa sorte. Mas o que me lembro mesmo, naqueles ruídos poéticos embriagados é mesmo de ti, ti, ti, ti, ti,...

sábado, outubro 14, 2006

O prometido de Dachau...











"O melhor é voltar-me para o lado esquerdo e assim, deslocando todo o peso do sangue sobre a metade mais gasta do meu corpo, esmagar o coração"

Carlos de Oliveira

sexta-feira, outubro 13, 2006

A vida é uma cambada de ditongos...

sábado, outubro 07, 2006

Já escolhi tema para fotografar. Nenhuma das vossas sugestões ou minhas iniciais, ainda assim obrigada pelas dicas.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Há dias que eu gostava de ser diferente sem o ser.

terça-feira, outubro 03, 2006

Ouvir o Paulo Portas faz-me viver tempos que não vivi. Ele assusta-me deveras. Aquele homem parou no tempo. Mais: deve ter problemas em entender a História (ou entende à sua maneira). Dá dó.

Linhas soltas...

Gostava de escrever um livro. Só para reter imagens que transbordam cá dentro. Formalizar palavras. Para fazer morrer momentos, tal como na fotografia de Roland Bathes. Matá-los e tê-los para sempre. Gostava mesmo de escrever livros e livros. Na verdade, não passo de duas páginas. "O fulgurante silêncio das palavras".
Às vezes apetece-me mandar pessoas à fava. Na verdade, mando.
Ir a uma Assembleia Municipal ou ao circo é...

(a frase foi deliberadamente censurada)

segunda-feira, outubro 02, 2006

Só sou feliz, porque tenho o coração cheio.

A ausência enriquece a alma. Ou deixa-a vaguear.
Muitas são as vezes, que não me sinto sozinha. Porque tenho a ausência.
Confuso, mas real.

Só sou feliz, porque tenho o coração cheio.
Num destes dias estava a espreitar a BBC, e de repente aparece um senhor bem parecido a apresentar a metereologia. Todas as capitais europeias com os devidos graus celsius à excepção de Lisboa. Esperei para ver o que o caramelo diria quando chegasse a Madrid. Bem, sem surpresa, o rapazinho lá mencionou Madrid, 25º...Portugal tinha somente o desenho da fronteira...e não teve direito a informação...rgh...

terça-feira, setembro 26, 2006

Nos próximos três meses vou estar virada para a fotografia. Inscrevi-me num curso de fotografia, e a tarefa de momento é escolher um tema a fotografar. Ainda não sei bem o quê. Aceitam-se sugestões (?)...Família, paisagem, o mercado do Bolhão, arquitectura, retratos....???...eu sei lá....
Regra nº1 do trânsito: tem mais cuidado com a condução dos outros do que com a tua.

domingo, setembro 17, 2006

Não consigo decidir se gosto do novo semanário SOL ou não. Venceu no grafismo, sem dúvida. Os títulos e textos são apresentados de forma leve, suave, com espaço, sendo atractiva para a leitura. A primeira secção, Política e Sociedade, que ocupa grande parte do jornal, oferece aos leitores informação limpa e necessária. A secção Intervalo joga bem para os leitores descansarem a mente e terem acesso a informação mais leve. A secção Mundo Real deixa a desejar. É um exagero do mundo real, muito mal abordado. A revista que acompanha o jornal, Tabu, tanto tem de interessante como desinteressante. O que é mesmo engraçado é a nota na primeira página: Este jornal vale por si só, não oferece brindes nem faz promoções.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Escreve-se que o 11 de Setembro mudou o mundo. Será que mudou o mundo, ou acordou-o para o que já existia?

domingo, setembro 10, 2006

"O Douro são as pessoas. Gente independente que não se encontra no resto do país".

Agustina Bessa-Luís

[tirado do Jornal de Notícias de hoje]

quinta-feira, setembro 07, 2006

Histórias Roubadas de Histórias Roubadas


Cartas inúteis

Há dias em que o céu e o mar parecem coalhar um no outro. Tudo o que rodeia se funde numa espécie de treva acinzentada. Sinto as horas correrem a minha imobilidade até ao meu mais longínquo osso. A memória foge, refugia-se na releitura dalgum livro que nunca voltei a folhear. É uma arte muito antiga, esta de me sentar perto da janela com um livro aberto nas mãos da memória.

Há dias assim, em que me sinto projectado para dentro de imagens duma memória futura, plena de luminosidade, onde certamente já não estarei. Tenho saudades dos lugares onde nunca estive, porque só nesses lugares, dizem, a vida continua. Envelhece-se mais devagar ao anoitecer. A morte enrosca-se como um gato ao colo do dono, e faz uma trégua até que de novo amanheça. Sou um homem nocturno, a luz do dia aumenta o conhecimento da minha escassa eternidade.
A mim, basta-me o espanto da flor que murcha quando, no mesmo ramo, outra flor expande as pétalas ao sol. Vivo na ilusão de conseguir enganar, alguma vez, o medo dos dias sem ninguém. Por isso construí jardins de areias e cinza, jardins de água e fogo, jardins de répteis e de ervas aromáticas, jardins de minerais e de pedras – mas todos abandonei à invasão da selva e das alucinações.

Eu sei, cada homem possui um deserto dentro de si. Nele caminha deixando minúsculos sinais da sua breve passagem, mas o sangue é facilmente bebido pelas areias e nenhum oásis de felicidade irrompe. Perdi a noção do mundo que me cerca e retém aqui. Tudo abandono a pouco e pouco. O deserto é cada vez mais deserto. Já não vislumbro sequer a minha sombra, nem ouço ruído algum. Nem rastos de outros homens ou animais. Apenas branco, e um zumbido de estrelas repercutindo-se no interior da solidão.

Não, não se pode viver sem amar. Por isso atravessei oceanos, arquipélagos, mares nocturnos, dei a volta ao mundo à procura do meu corpo. Resta-me agora a escrita, o eterno recomeçar sempre o mesmo livro, como se fosse uma condenação, um destino superior a que me sinto incapaz de fugir. Escrever para além do tempo possível, para além da memória que há-de existir no meu corpo. O fulgurante silêncio das palavras.

Al Berto

terça-feira, setembro 05, 2006

Melhor forma de se terminar as férias

Fazer a viagem de regresso - Lisboa/Porto (última etapa) - no cockpit dos pilotos. A pista do Sá Carneiro vista de cima parece uma árvore de Natal, e o Porto é mesmo bonito!

quinta-feira, agosto 31, 2006

If the origin of my work is scandalous, it is because, for me, the world is a scandal.

Hans Bellmer, Museu Pinakothek der Moderne, Munique

segunda-feira, agosto 28, 2006

Dachau

O silencio ganha voz no campo de concentracao em Dachau, a 25 minutos do centro de Munique. Sobra agora o memorial do campo. Ler a Historia e uma coisa, mas pisa-la e toca-la, garanto-vos que doi, e muito. Sao resquicios que falam, dizem aos ouvidos que o Homem e mau, muito mau. Que quando ganha poder, quer mais e mais.

Nie Wieder. Nunca mais. Esta mensagem esta escrita ate a exaustao por todo o campo. Os factos pesam demais para se ter a consciencia de que aconteceu mesmo. O pior e o medo que decora todas as salas das SS, das celas desfeitas pelo tempo, dos testemunhos dos sobreviventes do Holocausto escritos em cada parede.

Im in a state of trance. And a life is extinguished. No food, nothing. Warm food every four days.

Nao sei o que assusta mais: o ter acontecido, ou a organizacao e massificacao com que aconteceu!

[fotos para breve]

quinta-feira, agosto 24, 2006

Superman

Uma chachada!
Munique tem um charme estranho. De um lado passos femininos a pisar fashion; do outro, o mundo oriental com tracos culturais bem firmes: mulheres cobertas de preto. Denota-se uma forte devocao ao Santo Padre - pudera, ja foi bispo na cidade! Os eventos culturais batem-nos a porta, o sistema de transportes e fenomenal...mas nem toda a gente fala ingles!

terça-feira, agosto 22, 2006

Nas proximas duas semanas estou Baveriana. A minha mala e que sabe-se la porque, decidiu ficar por Lisboa. A parte disso, espero postar sobre Munique que esta mais calmo do que no mundial - o que nao e novidade, mas com um glamour que desconhecia.

[os acentos e que ja se sabe...]

quinta-feira, agosto 17, 2006

À vezes o que se passa no mundo são meras montagens.

[É tão feio especular...]
Letargia. Mas nem por isso o mundo pára de avançar:

- Ciência: os planetas podem crescer para 12;
- Mundo: o cessar-fogo mantém-se frágil;
- País: os incêndios devastam perto de 50 mil hectares;
- Desporto: novelas repetidas (pronto mudam os personagens)

[hmm....cheira-me que isto precisa de uma revolução]

segunda-feira, agosto 14, 2006

À noite (essencialmente) não devíamos sair de casa sem antes pedir licença a quem vive na rua. Porque se vivem pelos passeios, é lá que têm os seus haveres.

[Isto já teve dias melhores...]

domingo, julho 23, 2006



A minha amiga mais velha em idade está em Amesterdão, tem 80 anos, e é portuguesa . Não parece que calcou tantas décadas, mas apesar de ser a amiga mais velha em idade, parece a mais nova de espírito, espontaneidade, mentalidade. É livre. Muito livre.
Conhecemo-nos, e despedimo-nos no mesmo dia. Seja como for, faz-me surpresas como ninguém.

terça-feira, julho 11, 2006

sigur ros hoppipola

O que queres ser quando fores grande? Quero ser assim!

terça-feira, julho 04, 2006

Afinal, os espaços podem não mudar, mesmo que os tempos mudem.

segunda-feira, junho 26, 2006

Quando os tempos são diferentes, os espaços também o são.
Gostei do silêncio nas ruas de Amesterdão. E enquanto se fazia festa cá dentro, gostei de imaginar a festa do outro lado do mundo. Bonito.

quinta-feira, junho 22, 2006

Johnny Cash- Hurt

A velocidade da vida. É impossível não tremer ao som de Johnny Cash. É fácil crescer com a música. Cá dentro sente-se uma montanha formar-se; uma vontade a galopar e a dizer: Corre sempre, porque o Mundo não descansa, nem pára nunca, só porque tu páras ou descansas.

terça-feira, junho 13, 2006

O teu abraço virado para o horizonte

O teu abraço virado para o horizonte. Desde a calma da vila com a lua como candeeiro da noite, até à febre das cores do mundo aterradas na terra, onde se lê we've got them all. O teu abraço no meu, o meu no teu, e o nosso no mundo. Foi lá que nos conhecemos, e é lá que pertencemos.

sábado, junho 10, 2006

Gosto do sabor a vanila, quando o horizonte aconchega as tarefas do dia. Que bom é gostar e ser-se gostado.


Contamos segundos
Instantes escassos
Caímos mil vezes
Seguidas de abraços ;
A dança é divina
Ela vive no ar
Ela voa sem asas
Não quer aterrar
É bom arriscar o salto,

Planar,
Sentir de novo emoção...É tão bom
Saber que a morte
É falhar
Voar de encontro à tua mão
Aqui, no trapézio,

A rede é distante
O meu horizonte
É um braço errante ;
Despimos as horas
Perdidos no espaço,
Entre o rugir de um leão
E o choro de um palhaço
É bom arriscar o salto,

Planar,
Sentir de novo emoção...É tão bom
Saber que a morte
É falhar
Voar de encontro à tua mão

Trapézio, Jorge Palma

quarta-feira, maio 31, 2006

No meio do nada com tudo, as planícies como pano de fundo, e "Aquele Abraco" no rádio.
O teu olhar no meu. E o nosso no horizonte.

Du hast mich.

sexta-feira, maio 26, 2006

Da Vinci Code

O livro "Da Vinci Code" é interessante nas páginas que fala sobre símbolos, criptologia, e até dos próprios quadros Da Vinci, o resto é ficção e suspence.

O filme "The Da Vinci Code" é uma série de capítulos mal interpretados do livro, está demasiadamente escuro, e não dá uma percepção clara da ficção que o livro oferece. Uma desilusão, portanto.

sábado, maio 20, 2006

Tenho saudades do que não aconteceu, nem foi.

quinta-feira, maio 18, 2006

Mãe!
Vem ouvir a minha cabeça e contar histórias ricas que ainda não viajei! Traz tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue, sangue! Verdadeiro.
encarnado!
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar.

Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.

Mãe! ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado. Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.

Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão pela minha cabeça é tudo tão verdade!



Confidências, Almada Negreiros

domingo, maio 14, 2006

Abram-se as cortinas. Olhar bem fundo.

No palco:

www.aminhavaranda.blogspot.com

terça-feira, maio 09, 2006

Sou um monte confuso de forças cheias de infinito
Tendendo em todas as direcções para todos os lados do espaço,
A Vida, essa coisa enorme, é que prende tudo e tudo une
E faz com que todas as forças que raivam dentro de mim
Não passem de mim, não quebrem meu ser, não partam meu corpo

Ricardo Reis, 1935

Continuo a construir o puzzle da Vida, mesmo com a maré alta e vento forte.

quarta-feira, abril 12, 2006

Aqui a cozinha faz-se de acordes, vozes e jogos. Os corredores são cinzeiros de países.
E a saudade como pano de fundo.

E ó pá

TU e TU são mesmo estranhas.

sábado, abril 08, 2006



O que é bom não acaba depressa. Fica cá dentro por tempo ilimitado. Fica como o infinito: sem destino, nem hora, nem cor. Fica, apenas.

[Istambul, 2006]

sábado, abril 01, 2006

Os braços nus camınhavam para um jantar elegante. No meio da noite-brısa Mariza encantou as luzes ofuscantes do morno İstambul. A manha acordou num balao bem alto quase a tocar o ceu. Uma fotografia ampla de toda a cidade.
Quando o por-do-sol aconchega as ruas o Bazaar é a grande atracçao!...Istambul é um feıtiço.