um weblog sobre literatura, viagens, momentos, poesia, sobretudo, sobre a vida. enfim, um weblog com histórias dentro.

quinta-feira, agosto 31, 2006

If the origin of my work is scandalous, it is because, for me, the world is a scandal.

Hans Bellmer, Museu Pinakothek der Moderne, Munique

segunda-feira, agosto 28, 2006

Dachau

O silencio ganha voz no campo de concentracao em Dachau, a 25 minutos do centro de Munique. Sobra agora o memorial do campo. Ler a Historia e uma coisa, mas pisa-la e toca-la, garanto-vos que doi, e muito. Sao resquicios que falam, dizem aos ouvidos que o Homem e mau, muito mau. Que quando ganha poder, quer mais e mais.

Nie Wieder. Nunca mais. Esta mensagem esta escrita ate a exaustao por todo o campo. Os factos pesam demais para se ter a consciencia de que aconteceu mesmo. O pior e o medo que decora todas as salas das SS, das celas desfeitas pelo tempo, dos testemunhos dos sobreviventes do Holocausto escritos em cada parede.

Im in a state of trance. And a life is extinguished. No food, nothing. Warm food every four days.

Nao sei o que assusta mais: o ter acontecido, ou a organizacao e massificacao com que aconteceu!

[fotos para breve]

quinta-feira, agosto 24, 2006

Superman

Uma chachada!
Munique tem um charme estranho. De um lado passos femininos a pisar fashion; do outro, o mundo oriental com tracos culturais bem firmes: mulheres cobertas de preto. Denota-se uma forte devocao ao Santo Padre - pudera, ja foi bispo na cidade! Os eventos culturais batem-nos a porta, o sistema de transportes e fenomenal...mas nem toda a gente fala ingles!

terça-feira, agosto 22, 2006

Nas proximas duas semanas estou Baveriana. A minha mala e que sabe-se la porque, decidiu ficar por Lisboa. A parte disso, espero postar sobre Munique que esta mais calmo do que no mundial - o que nao e novidade, mas com um glamour que desconhecia.

[os acentos e que ja se sabe...]

quinta-feira, agosto 17, 2006

À vezes o que se passa no mundo são meras montagens.

[É tão feio especular...]
Letargia. Mas nem por isso o mundo pára de avançar:

- Ciência: os planetas podem crescer para 12;
- Mundo: o cessar-fogo mantém-se frágil;
- País: os incêndios devastam perto de 50 mil hectares;
- Desporto: novelas repetidas (pronto mudam os personagens)

[hmm....cheira-me que isto precisa de uma revolução]

segunda-feira, agosto 14, 2006

À noite (essencialmente) não devíamos sair de casa sem antes pedir licença a quem vive na rua. Porque se vivem pelos passeios, é lá que têm os seus haveres.

[Isto já teve dias melhores...]

domingo, julho 23, 2006



A minha amiga mais velha em idade está em Amesterdão, tem 80 anos, e é portuguesa . Não parece que calcou tantas décadas, mas apesar de ser a amiga mais velha em idade, parece a mais nova de espírito, espontaneidade, mentalidade. É livre. Muito livre.
Conhecemo-nos, e despedimo-nos no mesmo dia. Seja como for, faz-me surpresas como ninguém.

terça-feira, julho 11, 2006

sigur ros hoppipola

O que queres ser quando fores grande? Quero ser assim!

terça-feira, julho 04, 2006

Afinal, os espaços podem não mudar, mesmo que os tempos mudem.

segunda-feira, junho 26, 2006

Quando os tempos são diferentes, os espaços também o são.
Gostei do silêncio nas ruas de Amesterdão. E enquanto se fazia festa cá dentro, gostei de imaginar a festa do outro lado do mundo. Bonito.

quinta-feira, junho 22, 2006

Johnny Cash- Hurt

A velocidade da vida. É impossível não tremer ao som de Johnny Cash. É fácil crescer com a música. Cá dentro sente-se uma montanha formar-se; uma vontade a galopar e a dizer: Corre sempre, porque o Mundo não descansa, nem pára nunca, só porque tu páras ou descansas.

terça-feira, junho 13, 2006

O teu abraço virado para o horizonte

O teu abraço virado para o horizonte. Desde a calma da vila com a lua como candeeiro da noite, até à febre das cores do mundo aterradas na terra, onde se lê we've got them all. O teu abraço no meu, o meu no teu, e o nosso no mundo. Foi lá que nos conhecemos, e é lá que pertencemos.

sábado, junho 10, 2006

Gosto do sabor a vanila, quando o horizonte aconchega as tarefas do dia. Que bom é gostar e ser-se gostado.


Contamos segundos
Instantes escassos
Caímos mil vezes
Seguidas de abraços ;
A dança é divina
Ela vive no ar
Ela voa sem asas
Não quer aterrar
É bom arriscar o salto,

Planar,
Sentir de novo emoção...É tão bom
Saber que a morte
É falhar
Voar de encontro à tua mão
Aqui, no trapézio,

A rede é distante
O meu horizonte
É um braço errante ;
Despimos as horas
Perdidos no espaço,
Entre o rugir de um leão
E o choro de um palhaço
É bom arriscar o salto,

Planar,
Sentir de novo emoção...É tão bom
Saber que a morte
É falhar
Voar de encontro à tua mão

Trapézio, Jorge Palma

quarta-feira, maio 31, 2006

No meio do nada com tudo, as planícies como pano de fundo, e "Aquele Abraco" no rádio.
O teu olhar no meu. E o nosso no horizonte.

Du hast mich.

sexta-feira, maio 26, 2006

Da Vinci Code

O livro "Da Vinci Code" é interessante nas páginas que fala sobre símbolos, criptologia, e até dos próprios quadros Da Vinci, o resto é ficção e suspence.

O filme "The Da Vinci Code" é uma série de capítulos mal interpretados do livro, está demasiadamente escuro, e não dá uma percepção clara da ficção que o livro oferece. Uma desilusão, portanto.

sábado, maio 20, 2006

Tenho saudades do que não aconteceu, nem foi.

quinta-feira, maio 18, 2006

Mãe!
Vem ouvir a minha cabeça e contar histórias ricas que ainda não viajei! Traz tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue, sangue! Verdadeiro.
encarnado!
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar.

Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.

Mãe! ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado. Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.

Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão pela minha cabeça é tudo tão verdade!



Confidências, Almada Negreiros