Recebi um e-mail, onde se podia ler: "Mude. Mas, devagar." Ha coisas que se lêem na altura certa...
P.S.Este teclado holandes nao entende dedos portugueses...
um weblog sobre literatura, viagens, momentos, poesia, sobretudo, sobre a vida. enfim, um weblog com histórias dentro.
quarta-feira, fevereiro 04, 2004
terça-feira, fevereiro 03, 2004
Good Morning Amsterdam
Estes dias sou uma pena a voar no ar sem saber muito bem onde ira pousar. E bom tocar no desconhecido, se este se apresentar como um porto seguro! Sim, ha uma Mao a segurar-me, uma Mao com um pouco de todos vos que me seguem! Estou a escavar o meu caminho da melhor maneira, ja que nao ha tempo para esbocos. Obrigada por acordarem comigo todos os dias! E que bom sentir este abraco da vida!
sábado, janeiro 31, 2004
Jo, faste your seatbelt, Amsterdam waits for you!
Pronto. A mesa está livre de bagunça, o computador despido do meu olhar, as teclas desanuviadas dos dedos, e tudo quanto sou está dentro de uma mala, um saco e uma mochila. Esboço um "até breve" ao quarto, sussuro para não ter ciúmes, será sempre o meu quarto. Semeio beijos para toda a estação que se estendem a todos os quanto amo. Mas, tenho de pegar pela mão da alma e levá-la a passear. Evoluir, crescer em ritmo constante. Que bom viver!
Agradeço a este senhor me ter ensinado:
Os que esperam em Deus renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam. Livro de Isaías, 40:30,31
Agradeço a este senhor me ter ensinado:
Os que esperam em Deus renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam. Livro de Isaías, 40:30,31
segunda-feira, janeiro 26, 2004
Um sorrido para quem resolver...
Sabendo que uma determinada estação de trabalho A transmite um ficheiro com 128kbytes para uma estação de trabalho B e B transmite para A um ficheiro com 192kbytes através de uma ligação full-duplex a 64kbit/seg, responda à seguinte questão:
Se a ligação usasse transmissão assíncrona série com tramas constituídas por 1 bit de start, 8 bits de stop, qual seria o volume total (em kbytes) dos dados transmitidos pela estação A? Justifique.
Se a ligação usasse transmissão assíncrona série com tramas constituídas por 1 bit de start, 8 bits de stop, qual seria o volume total (em kbytes) dos dados transmitidos pela estação A? Justifique.
Enquanto se acorda, enquanto se come, enquanto se toma o banhinho matinal, enquanto se veste, enquanto se fuma, enquanto se ralha, enquanto se contam os tostões, enquanto se limpa a casa e arrumam os armários, enquanto se discute, enquanto se deita ao lixo as sobras do prato e mais umas tralhas que não servem de nada, enquanto existimos, também existe www.resistir.info.
sábado, janeiro 24, 2004
Eu descobri o mistério do mundo. Chama-se Proxy. É o epicentro do mundo que nos une pelas mãos.
Pronto, são três da manhã e eu ainda não colei nada aos neurónios que me restam, e que por sinal estão avariados. Mas se fizer um Home pode ser que isto passe. Meu Deus, ainda vão fazer o "Voando sobre um Ninho de Cucos II" e eu no papel principal!!
Pronto, são três da manhã e eu ainda não colei nada aos neurónios que me restam, e que por sinal estão avariados. Mas se fizer um Home pode ser que isto passe. Meu Deus, ainda vão fazer o "Voando sobre um Ninho de Cucos II" e eu no papel principal!!
sexta-feira, janeiro 23, 2004
quarta-feira, janeiro 21, 2004
quarta-feira, janeiro 14, 2004
terça-feira, janeiro 13, 2004
Converso com os ponteiros. Eles mostram-me tudo quanto guardo nas gavetas. Fase de filtração. Para um lado o que não interessa, para o outro, passados e presentes que sopram constantes aos ouvidos. Sim, estes são endereçados para a capa preta, onde memórias se cruzam e vivem. Memórias que me incendeiam, me ofuscam os olhos. Esboço um adeus para o saco de plástico e um até breve para o fundo das gavetas, para o chão dos báus. Estes escritos de tudo quanto está embaciado.
segunda-feira, janeiro 12, 2004
B.
Ouvi Radiohead e lembrei-me de ti. De hoje. De nós. Are you such a dreamer to put the words right. Por vezes, acho que o passado é como brincos nas orelhas. Sempre a marcar presença com um simples abano!
domingo, janeiro 04, 2004
sábado, janeiro 03, 2004
Running out in time
Contagem decrescente. Vinte e oito dias é o tempo que falta para voar e "atirar para ganhar", porque só "perdemos quando não fazemos", não é Verttigem? No bolso um pouco de todos vocês:
Mãe - alma
Pai - motivação
Mano - mar
Avó - ternura
Avô - horários
Tios - entusiasmo
Tia - coração
Tia Maria - calma
Tias - ânimo
Primos - infância
Lila - método
Anita - sorriso
Quel - palavras
Paula - carinho
A. Filipa - tempo
Rós - pureza
Nibs - som
Tiago - alegria
Pedro - surpresa
Verttigem - força
Fiães - serenidade
Bruno - atrasos
João - mais atrasos
Joana - caracóis
Sara/AD/Luisinha/Rita/Glória - aventura
Gacsum - quartas
U.M. - versos de amor
Fernando - teatro
Aninhas - inocência
Paula - beleza
Rebelde - rebelde
Alexandre - amizade
Pacheco - pensamentos
Selma - risos
Rita - cigarros
Vitor - entusiasmo
Neal - mundo
Filipe - música
Gustavo - net
Rabaça - viagem
Ricardo - sono
Manel - conversa
Fredo - noites
Zé - espontaneidade
Patrícia - sensibilidade
Cappuccino - cafés
Colegas do jornal - escrever
Blogs - vemo-nos num outro ecran
Depressivos-expressivos - abraço
Planeta - Reencontro
...
SAUDADE - The portuguese word
Mãe - alma
Pai - motivação
Mano - mar
Avó - ternura
Avô - horários
Tios - entusiasmo
Tia - coração
Tia Maria - calma
Tias - ânimo
Primos - infância
Lila - método
Anita - sorriso
Quel - palavras
Paula - carinho
A. Filipa - tempo
Rós - pureza
Nibs - som
Tiago - alegria
Pedro - surpresa
Verttigem - força
Fiães - serenidade
Bruno - atrasos
João - mais atrasos
Joana - caracóis
Sara/AD/Luisinha/Rita/Glória - aventura
Gacsum - quartas
U.M. - versos de amor
Fernando - teatro
Aninhas - inocência
Paula - beleza
Rebelde - rebelde
Alexandre - amizade
Pacheco - pensamentos
Selma - risos
Rita - cigarros
Vitor - entusiasmo
Neal - mundo
Filipe - música
Gustavo - net
Rabaça - viagem
Ricardo - sono
Manel - conversa
Fredo - noites
Zé - espontaneidade
Patrícia - sensibilidade
Cappuccino - cafés
Colegas do jornal - escrever
Blogs - vemo-nos num outro ecran
Depressivos-expressivos - abraço
Planeta - Reencontro
...
SAUDADE - The portuguese word
O Chorão
Não sei bem porquê os meus olhos começaram a deambular para além da janela e encontraram-se, como em todas as manhãs, com o Chorão do jardim. Os olhos prenderam-se aos ramos do Chorão e seguiram os seus movimentos caídos, em oblíquo a responder ao vento. Não sei porquê apeteceu-me escrever sobre o Chorão. Podia ter sido sobre outra coisa qualquer, mas os dedos escreveram Chorão. Na minha infância tinha muitos chorões bebés, mas preferia sempre carros e casas da Play Mobile. Nunca liguei às coisinhas rotuladas "para menina". Hoje prefiro o Chorão. Aquele que me diz bom-dia, que dança com os seus ramos caídos, que é casa para pássaros, que grita liberdade, que me dá colo, que me ouve, que brilha de noite e de dia, que me diz "eu sou o universo", que conta estrelas de noite e nuvens de dia, que me ama e me reflecte, que nunca adormece, porque tem sempre sonhos para concretizar, que toca Sigur Rós, que me deixa respirar, que pára e anda. Aquele que é o meu espelho.
Bom Dia 2004
Tu, que te dizes Homem!
Tu, que te alfaiatas em modas
e fazes cartazes dos fatos que vestes
pra que se não vejam as nódoas de baixo!
Tu, qu'inventaste as Ciências e as filosofias,
as Políticas, as Artes e as Leis,
e outros quebra-cabeças de sala
e outros dramas de espectáculo...
Tu, que aperfeiçoas a arte de matar...
Tu que descobriste o Cabo da Boa-Esperança
e o Caminho-Marítimo da Índia
e as duas Grandes Américas,
e que levaste a chatice a estas terras
e que trouxeste de lá mais Chatos pr'aqui
e qu'inda por cima contaste estes Feitos...
Tu, qu'inventaste a chatice e o balão,
e que farto de te chateares no chão
te foste chatear no ar,
e qu'inda foste inventar submarinos
pra te chateares também por debaixo d'água...
Tu, que tens a mania das Invenções e das Descobertas
e que nunca descobriste que eras bruto,
e que nunca inventaste a maneira de não o seres...
Tu consegues ser cada vez mais besta
e a este progresso chamas Civilização!
[...]
José de Almada Negreiros
Tu, que te alfaiatas em modas
e fazes cartazes dos fatos que vestes
pra que se não vejam as nódoas de baixo!
Tu, qu'inventaste as Ciências e as filosofias,
as Políticas, as Artes e as Leis,
e outros quebra-cabeças de sala
e outros dramas de espectáculo...
Tu, que aperfeiçoas a arte de matar...
Tu que descobriste o Cabo da Boa-Esperança
e o Caminho-Marítimo da Índia
e as duas Grandes Américas,
e que levaste a chatice a estas terras
e que trouxeste de lá mais Chatos pr'aqui
e qu'inda por cima contaste estes Feitos...
Tu, qu'inventaste a chatice e o balão,
e que farto de te chateares no chão
te foste chatear no ar,
e qu'inda foste inventar submarinos
pra te chateares também por debaixo d'água...
Tu, que tens a mania das Invenções e das Descobertas
e que nunca descobriste que eras bruto,
e que nunca inventaste a maneira de não o seres...
Tu consegues ser cada vez mais besta
e a este progresso chamas Civilização!
[...]
José de Almada Negreiros
sexta-feira, janeiro 02, 2004
terça-feira, dezembro 30, 2003
2004
Limpar o pó. As mãos com o peso do pano do pó. Devagar vou-o passando pela mesa, pelo candeeiro, pela cadeira, pelo computador, pelas caixas, pelos meus dias, pelos números que preenchem o relógio. O pó desaparece e o brilho começa a sorrir. Depois de hoje, novo pó irá nascer. É preciso espaço!
Bom Ano Novo...
Bom Ano Novo...
domingo, dezembro 28, 2003
sábado, dezembro 27, 2003
quinta-feira, dezembro 25, 2003
Ti
Então escolheste hoje o dia para me puxares as orelhas, apertares-me a cara com as duas mãos. Safado! Olho o relógio: meia-noite e três. Três. O meu número preferido. Até nisso assinaste o momento. É verdade escrevo-te, como sempre escrevi. Descobri-te na voz da mãe a dizer: "Sacode tudo isso, vai tomar banho e deixa escorrer". E eu, ainda ouvi dentro de mim: "Sua palerma, sempre a vencer e sempre a franzir a sobrancelha". Cheguei a pensar que o que ia compor hoje seria: Apetecia trincar-te de raiva mesmo sabendo que não existes. Mas, existes e agora? Lá ando eu mascarada de balança, com dois mundos pendurados a pesar equilíbrio. Afinal, não me cortaram o cordão umbilical!
quarta-feira, dezembro 24, 2003
Porque é Natal...
O sol, como aquecedor na véspera a dar indícios de um Natal quentinho ao lado dos que mais gostamos, a recordar o que mais amamos!Palavras para quê...é Natal...muita Paz e Amor! A todos um feliz Natal!
domingo, dezembro 21, 2003
sábado, dezembro 20, 2003
sexta-feira, dezembro 19, 2003
Again
Esvaziar. Estes meses têm sido etéreos, mas, ao mesmo tempo, fugazes, a escapar pelo ar. As mãos têm tudos e nadas. Os tudos suspendem-se, fixam-se num ponto final, num círculo. Os nadas aproximam-se, vão deixando aroma, um suave paladar. Encher.
sexta-feira, dezembro 12, 2003
terça-feira, dezembro 09, 2003
segunda-feira, dezembro 08, 2003
sábado, dezembro 06, 2003
Uma vez...
...o meu encenador e amigo, Fernando Silva do grupo de teatro Renascer (de Rio Tinto), disse-me, já nem me lembro a propósito de quê, que as pessoas têm pavor à mudança. Eu acenei afirmativamente! O Fernando, ainda continuou com uma estatística da Texas, uma empresa que já faliu. Os números traduziam que se as pessoas pudessem estar sempre iguais era ouro sobre azul. Ora, é justamente mudança que todos reivindicam, lutam contra o seu quotidiano. As paredes do corpo estremecem só em ouvir falar de mudança, ganha-se tumores!!Mas a verdade é que ao mudarmos, criamos, faz-se a revolução que se inicia cá dentro, como escreve o escritor. Por isso ele também atende, seja como a fonte que transborda e não como o tanque que contém sempre a mesma água. É assim que vejo o ser, o ser que vive comigo. Grito e luto por uma "paz inquieta", por algo mais a seguir ao algo!
Hoje quando vi o arco-íris a penetrar na minha janela e a apanhar-me de surpresa precisei de mudar mais uma coisa que pensava que ia mudar mais tarde - o planeta b612. Seja como for, é assim que chegam os momentos certos, sem tocar à campanhia. E, assim, mudei. Porque é bom mudar, remar como queremos e sorrir com as surpresas em que tropeçamos. E imaginei: "Pelo menos tem aspecto dos embondeiros do principezinho". E lá estava ele a dizer por detrás das palavras da mãe (sempre a apoiar): "Nunca se sabe". Uma resposta para tudo.
Hoje quando vi o arco-íris a penetrar na minha janela e a apanhar-me de surpresa precisei de mudar mais uma coisa que pensava que ia mudar mais tarde - o planeta b612. Seja como for, é assim que chegam os momentos certos, sem tocar à campanhia. E, assim, mudei. Porque é bom mudar, remar como queremos e sorrir com as surpresas em que tropeçamos. E imaginei: "Pelo menos tem aspecto dos embondeiros do principezinho". E lá estava ele a dizer por detrás das palavras da mãe (sempre a apoiar): "Nunca se sabe". Uma resposta para tudo.
Um reflexo...
De cachecol como uma serpente no percoço, de luvas enfiadas, o casaco todo aproveitado, colado ao corpo pela força do vento, entro no autocarro para mais uma jornada do meu dia (ou da minha vida). Sento-me ao lado de uma senhora, avozinha, de cabelos brancos e um olhar longínquo. Também eu me perco na longevidade do meu olhar. Quando reparo, estamos as duas exactamente iguais. A mesma direcção de olhar, as mesmas mãos pousadas uma sobre a outra, fincadas nas pernas que se apertam. Já reflexos de cabelos brancos...???....
terça-feira, dezembro 02, 2003
Uma voz só para mim...
Erámos muitos à espera dos tais relatos, de estórias, emoções, sinais, crenças, o sentido de cada um. Todos nós de olhos esbugalhados, penetrantes no ser que nos conseguiu apertar a respiração. Mas, aquela mulher de lenço amarelo, sobre as costas falou só para mim. Tenho a certeza, como a certeza que está nos meus seis sentidos. Estava ela de lágrima armada no olho a falar da peregrinação a Santiago. Não lhe faltou uma vírgula no seu discurso!! Partiu sozinha, sem medos e inseguranças, em busca de si e do outro, em busca de algo mais que até cabe na nossa carteira mais pequena - partiu consigo.
Foi, por ventura dos sinais mais claros da vida, com uma transparência tão pura, que eu até lhe toquei. Por isso, fiquei grávida, de sonhos, do meu sentido, dos meus ideais, de tudo o quanto nasceu comigo ontem. Faz-se o caminho, andando!!
P_________
Foi, por ventura dos sinais mais claros da vida, com uma transparência tão pura, que eu até lhe toquei. Por isso, fiquei grávida, de sonhos, do meu sentido, dos meus ideais, de tudo o quanto nasceu comigo ontem. Faz-se o caminho, andando!!
P_________
segunda-feira, dezembro 01, 2003
Dia Mundial Contra a Sida
Sou seropositivo e percebo uma coisa que poucos percebem - o amor! Pena é o medo do abraço que quero dar e recusam, o abraço que ficou por dar!
sábado, novembro 29, 2003
Matar o sonho II
O sonho repete-se constantemente. Já é crónico! Como enganar o sonho, como desviá-lo, abafá-lo na escuridão infinita? Acordo com as palavras já gravadas na forma dos lábios: Foi só um sonho. Mas, nunca é só um sonho. A noite prolonga-se pelo dia.
sexta-feira, novembro 28, 2003
O princípio e o fim de FP
"Não estou cansada..."
...de adormecer e acordar, de sair de casa e voltar, de andar, de correr, de sonhar, de passear, de trabalhar, de escrever, de comer e beber, de pestanejar, de beijar e abraçar, de sorrir, de ouvir, de falar, de aturar, de ver, de ir ao cinema e ao teatro, de telefonar, de explicar, de ter paciência, de cuidar, de ter ideias, de iluminar, de dar explicações, de acreditar, de pedir, de dar e receber, de dormir, de sonhar acordada, de me chatear, de chorar, de magoar e ser magoada, de andar de guarda-chuva na mão, de dar a mão, de dizer bom-dia e boa-noite...
"Pronto, estou cansada!..."
...de adormecer e acordar, de sair de casa e voltar, de andar, de correr, de sonhar, de passear, de trabalhar, de escrever, de comer e beber, de pestanejar, de beijar e abraçar, de sorrir, de ouvir, de falar, de aturar, de ver, de ir ao cinema e ao teatro, de telefonar, de explicar, de ter paciência, de cuidar, de ter ideias, de iluminar, de dar explicações, de acreditar, de pedir, de dar e receber, de dormir, de sonhar acordada, de me chatear, de chorar, de magoar e ser magoada, de andar de guarda-chuva na mão, de dar a mão, de dizer bom-dia e boa-noite...
"Pronto, estou cansada!..."
quinta-feira, novembro 27, 2003
Matar o sonho
Alguém me faculta o contacto do sindicato dos sonhos? Há manhãs em que acordo com sede de sangue, com vontade de matar o sonho e cortar com aquelas imagens que arrancam suores durante a noite. Palavras, seres, cores, sons...atormentam aquele segundo de consciência quando acordo. Afinal, o que são os sonhos, como interpretá-los? Aquela tela pintada, aquela peça de teatro a que assisto sem poder tocar ou mudar o cenário...argh!!...
Tenho as mãos suadas de empurrar os sonhos para longe e remar para a realidade...
Tenho as mãos suadas de empurrar os sonhos para longe e remar para a realidade...
domingo, novembro 23, 2003
Sabem como se arranja um «take» da Lusa? Acertam-se as linhas, conjungam-se os verbos, cortam-se palavras, por causa do espaço, vêem-se os complementos de tempo. Enfim, faz-se obras ao texto. Agora, finjo ser eu um texto e faço, exactamente o mesmo comigo: lavo a alma, acerto o coração, corto os "embondeiros"!!
Time is never time at all...
Time is never time at all...
sábado, novembro 22, 2003
sexta-feira, novembro 21, 2003
"Contra Legem"
No dia não são só raios de sol ou pingos de chuva que entram pelas janelas da alma, também imagens, estórias tuas e nossas tocam o chão do meu ser. A mente confia-te os minutos que os pulmões respiram, o sangue que o coração bombeia. Curtas-metragens. Hoje foi mais um dia que passou. E vida é este espaço vazio e instante demente.
No dia não são só raios de sol ou pingos de chuva que entram pelas janelas da alma, também imagens, estórias tuas e nossas tocam o chão do meu ser. A mente confia-te os minutos que os pulmões respiram, o sangue que o coração bombeia. Curtas-metragens. Hoje foi mais um dia que passou. E vida é este espaço vazio e instante demente.
domingo, novembro 16, 2003
2=1
Outra razão me trouxe ao posting do blog. Ao espaço em branco. Mas, mesmo antes de clicar sobre o posting, cliquei no link nós. Inevitável! Já a Sara teve a mesma pulsão que agora a sinto e escreveu sobre o Teu e a Tua. Dois nomes que redundam num nós. Porque o mundo tem sempre um nós que nos procura, que transforma um Teu e uma Tua num Eu, que longe ou ao perto ama-se porque se ama. Como me recordas-te Tua e como já havia feito a a_dee, amo como ama o amor. Não conheço outra razão de amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo? (FP).
Como diria o Benjamim...obrigado, obrigado...pelo bom momento que um nós proporciona.
Outra razão me trouxe ao posting do blog. Ao espaço em branco. Mas, mesmo antes de clicar sobre o posting, cliquei no link nós. Inevitável! Já a Sara teve a mesma pulsão que agora a sinto e escreveu sobre o Teu e a Tua. Dois nomes que redundam num nós. Porque o mundo tem sempre um nós que nos procura, que transforma um Teu e uma Tua num Eu, que longe ou ao perto ama-se porque se ama. Como me recordas-te Tua e como já havia feito a a_dee, amo como ama o amor. Não conheço outra razão de amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo? (FP).
Como diria o Benjamim...obrigado, obrigado...pelo bom momento que um nós proporciona.
sexta-feira, novembro 14, 2003
As vidas estão guardadas em caixas. A minha está repartida por várias caixas. Hoje abri uma caixa pequenina a germinar estórias. Respirei o passado e toquei-lhe. Atravessei páginas e folhas soltas, fotografias pelo meio, folhas de árvores diminutas no tamanho. Perdi-me pelo tempo. Descobri tantos olhares pelo azul e preto da caneta. Descobri seres, coscuvilhei a alma, vi rosas murchas, sorrisos, chuva a cair e o sol a nascer. Vi um mundo em construção! Descobri, também uma carta, uma carta, cujo destinatário é Deus...entre papel de rebuçado, para lembrar o que advinhava esquecido, lá estava ela a perguntar o que encontro, agora nesta pele que me calhou, nestes olhos que me denunciam...
...perdida nos braços do mundo
navegando nas ondas frias do mar, escondo-me da vida e de mim
protego-me no algodão de seda que me cobre a pele e o olhar revelador
que poisa na superfície da terra, como uma fada no ramo de uma árvore...
Oh! Não há estrelas. No meu dia não há estrelas...a quem pedir desejos...elevo a voz interior vinda do espírito, desabrocho a alma e todas as estrelas que vivem acima do nevoeiro que nos atomiza, sublimam-se...dizer amar o universo, mas só aquele para lá do nevoeiro...espero que ainda não me tenha entranhado e que a minha alma seja tão límpida, quanto sublime para atravessar o nevoeiro e fazer com que as estrelas me ouçam no meu dia...e será que algum dia foi nosso?... (a 10 de Fevereiro de 2003).
...perdida nos braços do mundo
navegando nas ondas frias do mar, escondo-me da vida e de mim
protego-me no algodão de seda que me cobre a pele e o olhar revelador
que poisa na superfície da terra, como uma fada no ramo de uma árvore...
Oh! Não há estrelas. No meu dia não há estrelas...a quem pedir desejos...elevo a voz interior vinda do espírito, desabrocho a alma e todas as estrelas que vivem acima do nevoeiro que nos atomiza, sublimam-se...dizer amar o universo, mas só aquele para lá do nevoeiro...espero que ainda não me tenha entranhado e que a minha alma seja tão límpida, quanto sublime para atravessar o nevoeiro e fazer com que as estrelas me ouçam no meu dia...e será que algum dia foi nosso?... (a 10 de Fevereiro de 2003).
quinta-feira, novembro 13, 2003
sábado, novembro 08, 2003
Le Petit Prince
O meu grande e puro amigo Rósb612 recordou-me como é um dia com o principezinho. E, então é assim:
O principezinho vive no seu planeta, b612, onde arranca as ervas daninhas para não crescerem os embondeiros, limpa os seus vulcões, porque "nunca se sabe", podem entrar em erupção, protege a sua rosa do vento, porque ela é muito vaidosa e, no final do dia, o principezinho contempla o pôr do sol. Houve um dia que ele viu 43 pores do sol. Será que estava assim tão triste?
O meu grande e puro amigo Rósb612 recordou-me como é um dia com o principezinho. E, então é assim:
O principezinho vive no seu planeta, b612, onde arranca as ervas daninhas para não crescerem os embondeiros, limpa os seus vulcões, porque "nunca se sabe", podem entrar em erupção, protege a sua rosa do vento, porque ela é muito vaidosa e, no final do dia, o principezinho contempla o pôr do sol. Houve um dia que ele viu 43 pores do sol. Será que estava assim tão triste?
domingo, novembro 02, 2003
Cuspo o negro que te cobre. Essa fragilidade já mete nojo, mais parece uma teia de aranha! Cortaram-te o cordão umbilical para caminhares e correres, não para adormeceres como uma falsa Bela Adormecida. Idiota! Calca as pedras com os ensinamentos que o mestre te deu e não te rendas ao medo. Quero lá saber se me odeias ou não, se o mundo te embacia os olhos ou te atormenta as estórias que escondes debaixo das pálpebras. Frende-me essa tua displicência.
sábado, novembro 01, 2003
sexta-feira, outubro 31, 2003
Q.
Entre os pingos da chuva e a banda sonora que se ouve do céu escrevo-te estas prometidas palavras. Um destes dias o dia nasceu com sol e adormeceu com chuva, exactamente como a minha febre. Ás vezes nem dou por ela, outras vezes ela faz questão de me calcar. Naquelas quatro paredes, despojadas de vida, à espera de uma nova estória para inscrever no espaço, esvaziei o copo. Mediste-me a febre e eu fechei a torneira ao ritmo das tuas mãos macias me passarem pelos fios de cabelo.
Não, não se resolve tudo dentro de quatro paredes. As quatro paredes alargaram-se. As minhas quatro paredes é o ar que me envolve e me faz vaguear pelas ruas da vida, pelo tempo que aquela Mão que vimos juntas me concede. Já não gasto tantos lenços de papel, equilibrei os calores da gripe, já não bebo tanto chá. A febre deu tréguas. Portanto, corro pelos dias encharcada de força, com intervalos cambaleantes e momentos de saudade por aquilo que está para vir. Só se vê bem com o coração e tu viste!
Entre os pingos da chuva e a banda sonora que se ouve do céu escrevo-te estas prometidas palavras. Um destes dias o dia nasceu com sol e adormeceu com chuva, exactamente como a minha febre. Ás vezes nem dou por ela, outras vezes ela faz questão de me calcar. Naquelas quatro paredes, despojadas de vida, à espera de uma nova estória para inscrever no espaço, esvaziei o copo. Mediste-me a febre e eu fechei a torneira ao ritmo das tuas mãos macias me passarem pelos fios de cabelo.
Não, não se resolve tudo dentro de quatro paredes. As quatro paredes alargaram-se. As minhas quatro paredes é o ar que me envolve e me faz vaguear pelas ruas da vida, pelo tempo que aquela Mão que vimos juntas me concede. Já não gasto tantos lenços de papel, equilibrei os calores da gripe, já não bebo tanto chá. A febre deu tréguas. Portanto, corro pelos dias encharcada de força, com intervalos cambaleantes e momentos de saudade por aquilo que está para vir. Só se vê bem com o coração e tu viste!
segunda-feira, outubro 27, 2003
sexta-feira, outubro 24, 2003
quinta-feira, outubro 23, 2003
Hoje o Rós e a Sigur disseram depois de pensar: "Não conseguimos acompanhar o mundo". E, depois correram para tentar acompanhar o mundo e o tempo. E depois do depois (pensado pelos dois) pestanejaram e abriram cortinas de vidro, daquelas embaciadas pela alucinações dos ritmos dos outros planetas, mais rápidos. O Sílvio acabou de vencer o jogo de xadrez. Um dia, disseram-me que o mundo é um jogo de xadrez. Talvez porque a rainha tinha o teu nome estampado na coroa... talvez porque existem torres e cavalos, peças brancas e pretas que fazem parte do universo azul... tabuleiro verde ou de água? De água porque os nossos corpos flutuam num espaçoo indefinido! Na definção de "não conseguir acompanhá-lo" ou nas ilusórias chamas do tentar? Sim, o "tentar" torna-se um deserto quando a areia passa a imaginários fios de água e aqui "não conseguimos acompanhá-lo", no entanto, todos os desertos têm um poço... algures... onde a sede de palavras soa indesejada. E, no entanto, essas palavras são nossas. Serpentes que se evadem do mundo na ingratidão do rastejar. O mundo está repleto tanto de serpentes como de anjos. Será que existem anjos a rastejar e serpentes com asas?
e a resposta acanha-se atrás de duas palavras: - porque não? Enquanto houver flores que os escrevam, porque não? O pano vermelho que cobre o mundo cai. Finda a peça de teatro: as suas vidraças reflectem o que não conseguimos acompanhar no mundo.
B612
e a resposta acanha-se atrás de duas palavras: - porque não? Enquanto houver flores que os escrevam, porque não? O pano vermelho que cobre o mundo cai. Finda a peça de teatro: as suas vidraças reflectem o que não conseguimos acompanhar no mundo.
B612
Todos nós vendemos o tempo. Vendemos o tempo quando estudamos e não queremos, quando vamos para as aulas e queríamos passear, vendemos o tempo quando o "lado esquerdo" quer dizer não e, por convencionalidades dizemos sim. Enfim, somos fantoches do tempo e por muito esforço que façamos não conseguimos mandar nos ponteiros que, confortavelmente abusam de nós.
domingo, outubro 19, 2003
"Ao livro da tua vida. Ao livro que é o teu blog, que é lindo...as folhas que criamos e inventamos. Aos livros que nos abraçam."
Recebi um livro com folhas brancas, prontas a abrir as hospitalidades de estórias vividas, de imagens conceptualizadas. Sim, vou dar ao livro "cor, sorrisos, pós mágicos e lágrimas felizes e, sobretudo vida". Enfim, vou-lhes tirar a virgindade, a pureza do branco para manchar de tinta preta essas páginas cândidas.
Recebi um livro com folhas brancas, prontas a abrir as hospitalidades de estórias vividas, de imagens conceptualizadas. Sim, vou dar ao livro "cor, sorrisos, pós mágicos e lágrimas felizes e, sobretudo vida". Enfim, vou-lhes tirar a virgindade, a pureza do branco para manchar de tinta preta essas páginas cândidas.
sexta-feira, outubro 17, 2003
"os serões habituais e as noites sempre iguais"...
O Cappuccino que é, com quem diz, os meus amigos de Rio Tinto (desculpem o rótulo) fizeram um blog, um a juntar aos 2100 que já existem (por esta altura já deve chegar "aos cento e picos"). A Joana ficou com a boca aberta a admirar o horizonte que se avivou. No dicionário português, "Grupo" significa "formando um todo;reunião de pessoas" ou "conjunto de objectos no mesmo lance de olhos". Pois, então que sejamos um conjunto de Amigos no mesmo lance de olhos. No dicionário da Joana isto traduz-se pelo respeito na respirão de cada um, pelos gostos e personalidade de cada um. Obrigada pela miscelânea de letras, imagens e cores que podemos criar!
Com amizade me despeço,
depressivos-expressivos
O Cappuccino que é, com quem diz, os meus amigos de Rio Tinto (desculpem o rótulo) fizeram um blog, um a juntar aos 2100 que já existem (por esta altura já deve chegar "aos cento e picos"). A Joana ficou com a boca aberta a admirar o horizonte que se avivou. No dicionário português, "Grupo" significa "formando um todo;reunião de pessoas" ou "conjunto de objectos no mesmo lance de olhos". Pois, então que sejamos um conjunto de Amigos no mesmo lance de olhos. No dicionário da Joana isto traduz-se pelo respeito na respirão de cada um, pelos gostos e personalidade de cada um. Obrigada pela miscelânea de letras, imagens e cores que podemos criar!
Com amizade me despeço,
depressivos-expressivos
Benjamins
Uma linda menina ofereceu-me um lindo CD com a estória do Benjamim. O Benjamim é um menino com uma ingenuidade admirável, uma inocência própria. Todos deviamos ser Benjamins!! Eu tenho um Benjamim com o mar na face, uma esperteza arrepiante e uma ternura magnetica que é o meu irmão de dois anos. O Benjamim diz "só mais um bocadinho" quando quer acordar de manhã. Quem me dera dizer de manhã "só mais um bocadinho" para continuar a "sonhar que estou a pilotar o avião"..."oh só mais um bocadinho"... e receber aplausos quando sair da cama e fazer "um xixi que nunca mais acaba". E ter um "cabelo que parece uma vassoura". Que alegria que era. O mundo acordava e dizia, só mais um bocadinho e continuava a dormir e depois, quando lhe apetecesse tomava os cereais e lavava os dentes e punha a mochila às costas e prosseguia dia adiante. Que giro que era! Podiamos abrir inscrições para criar um país Benjamim...
Uma linda menina ofereceu-me um lindo CD com a estória do Benjamim. O Benjamim é um menino com uma ingenuidade admirável, uma inocência própria. Todos deviamos ser Benjamins!! Eu tenho um Benjamim com o mar na face, uma esperteza arrepiante e uma ternura magnetica que é o meu irmão de dois anos. O Benjamim diz "só mais um bocadinho" quando quer acordar de manhã. Quem me dera dizer de manhã "só mais um bocadinho" para continuar a "sonhar que estou a pilotar o avião"..."oh só mais um bocadinho"... e receber aplausos quando sair da cama e fazer "um xixi que nunca mais acaba". E ter um "cabelo que parece uma vassoura". Que alegria que era. O mundo acordava e dizia, só mais um bocadinho e continuava a dormir e depois, quando lhe apetecesse tomava os cereais e lavava os dentes e punha a mochila às costas e prosseguia dia adiante. Que giro que era! Podiamos abrir inscrições para criar um país Benjamim...
sábado, outubro 11, 2003
quarta-feira, outubro 08, 2003
Por acaso não há acasos
O mundo parece um estádio de futebol a fazer a onda. Tudo está certo, sem estar programado.
O mundo deu-se por alguma razão e as coisas acontecem por alguma razão.
Por isso, Milan Kundera imprime que os pássaros dos acasos voam pelos nossos ombros. Trazem, portanto, "uma mensagem". E quem disser que há coincidências, mente. Quando nos atrasamos para uma aula, quando nos enganamos na rua, quando repentinamente começam a soar ecos de radiohead a perguntar "where are you now" e uma miúda italiana se senta ao meu lado, enquanto escrevo o texto, quando o vento sopra sul, quando a casa das sandes trespassa-se e vamos almoçar a outro lado e nesse lado acontece algo. Porque o acaso assim o quis, porque a vida assim o desejou, porque algo acontece por alguma razão. Maktub.
O mundo parece um estádio de futebol a fazer a onda. Tudo está certo, sem estar programado.
O mundo deu-se por alguma razão e as coisas acontecem por alguma razão.
Por isso, Milan Kundera imprime que os pássaros dos acasos voam pelos nossos ombros. Trazem, portanto, "uma mensagem". E quem disser que há coincidências, mente. Quando nos atrasamos para uma aula, quando nos enganamos na rua, quando repentinamente começam a soar ecos de radiohead a perguntar "where are you now" e uma miúda italiana se senta ao meu lado, enquanto escrevo o texto, quando o vento sopra sul, quando a casa das sandes trespassa-se e vamos almoçar a outro lado e nesse lado acontece algo. Porque o acaso assim o quis, porque a vida assim o desejou, porque algo acontece por alguma razão. Maktub.
terça-feira, outubro 07, 2003
segunda-feira, outubro 06, 2003
domingo, outubro 05, 2003
Nada por tudo
O mestre rebelde pensou, eficazmente o nada. "Trabalhamos alguns anos para que depois não seja preciso fazer nada". E, depois "quando formos carcaças vamos passar anos a fio sem fazer nada". Em suma, o nada é o nosso tecto. As nossas respostas tendem para o nada: O que é que tens? Nada.
Mas, como em tudo na vida há um "mas". Um "mas" que faz sempre a diferença, um "mas" que consegue estar acima do nada, um "mas" que nos põe a mexer.
Quando Miguel Torga diz que a "vida é feita de nadas", a pebide da frase está, justamente no tudo que ocupa a vida, mas que nós desmesuradamente desperdiçamos. Aqui o nada é tudo! Portanto, a vida é feita de tudos que nós esquecemos no fundo da alma e que passam a nadas, porque passou o prazo de validade. Se queremos criar raízes temos de dar o tudo, se queremos caminhar pela vida e as suas estradas íngremes temos de dar o tudo, pois se cairmos no vazio do nada, perde-se a essência da luta e o paraquedas que nos segura! Finalmente, se moramos nas teias do nada, que para muitos é o caminho mais fácil, perdemos a tarefa mais difícil e mais charmosa da vida que é construir.
O mestre rebelde pensou, eficazmente o nada. "Trabalhamos alguns anos para que depois não seja preciso fazer nada". E, depois "quando formos carcaças vamos passar anos a fio sem fazer nada". Em suma, o nada é o nosso tecto. As nossas respostas tendem para o nada: O que é que tens? Nada.
Mas, como em tudo na vida há um "mas". Um "mas" que faz sempre a diferença, um "mas" que consegue estar acima do nada, um "mas" que nos põe a mexer.
Quando Miguel Torga diz que a "vida é feita de nadas", a pebide da frase está, justamente no tudo que ocupa a vida, mas que nós desmesuradamente desperdiçamos. Aqui o nada é tudo! Portanto, a vida é feita de tudos que nós esquecemos no fundo da alma e que passam a nadas, porque passou o prazo de validade. Se queremos criar raízes temos de dar o tudo, se queremos caminhar pela vida e as suas estradas íngremes temos de dar o tudo, pois se cairmos no vazio do nada, perde-se a essência da luta e o paraquedas que nos segura! Finalmente, se moramos nas teias do nada, que para muitos é o caminho mais fácil, perdemos a tarefa mais difícil e mais charmosa da vida que é construir.
sábado, outubro 04, 2003
A Cruz de Martins e de todos nós...
Desde as 20 horas de quinta-feira não se fala de outra coisa. O sobrenome Martins da Cruz tem sido a salvação para a comunicação social. Pergunto-me se não fosse este caso de que matérias a imprensa se debruçava. Talvez a D. Maria tivesse mais espaço no jornal da TVI, os Ídolos na SIC ou a Operação Triunfo na RTP. É um facto que foi cometida uma ilegalidade, que o ministro se demitiu. É um facto que os órgãos de comunicação enquanto serviço público fizeram o seu papel: denunciaram. Contudo, o que é demais é erro e a quantidade repetida de informação que atravessa os ecrans de televisão, as páginas dos jornais e as colunas das rádios começa, inevitavelmente a cansar. É bom que os portugueses tenham uma boía em casa para se apoiarem porque o país está um verdadeiro caos, por todo o lado se respira o caos e vergonha. O presidente da República pode não ter comentado o assunto de modo directo (talvez tenha uma pedrita no sapato), no entanto numa coisa Jorge Sampaio tem razão, estes casos todos são uma sombra negra para o país.
Desde as 20 horas de quinta-feira não se fala de outra coisa. O sobrenome Martins da Cruz tem sido a salvação para a comunicação social. Pergunto-me se não fosse este caso de que matérias a imprensa se debruçava. Talvez a D. Maria tivesse mais espaço no jornal da TVI, os Ídolos na SIC ou a Operação Triunfo na RTP. É um facto que foi cometida uma ilegalidade, que o ministro se demitiu. É um facto que os órgãos de comunicação enquanto serviço público fizeram o seu papel: denunciaram. Contudo, o que é demais é erro e a quantidade repetida de informação que atravessa os ecrans de televisão, as páginas dos jornais e as colunas das rádios começa, inevitavelmente a cansar. É bom que os portugueses tenham uma boía em casa para se apoiarem porque o país está um verdadeiro caos, por todo o lado se respira o caos e vergonha. O presidente da República pode não ter comentado o assunto de modo directo (talvez tenha uma pedrita no sapato), no entanto numa coisa Jorge Sampaio tem razão, estes casos todos são uma sombra negra para o país.
quarta-feira, outubro 01, 2003
Ou não...
Os seres vivos habituaram-se ao "ou não". Em todo o lado escuta-se um "ou não". Os "ou não cruzam-se connosco como o vento cruza com os fios de cabelo. É verdade, a vida é feita de "ou não". Cada caso é um caso e, por isso não existe uma verdade absoluta, irrefutável. Vivemos com o "ou não", pagamos a renda de casa com ele, dorminos com ele, comemos com ele, estudamos e descansamos com ele. Dirigimos o mastro do mundo nesta direcção. Será assim...ou não...
Mas como a vida tem sempre um lado mais brilhante houve alguém que me mostrou o
Ou sim...
"Quanto a mim, que pouco de mim sou (ou sim), a irrefutabilidade do amor é um "ou sim" dos grandes. Daqueles em letras maiúsculas com um chapeuzinho nos pontos. Não há outra direcção senão amor, por menos de mim que seja...é a única razão que me faz querer ler-te no escrever...
Será assim...ou sim...
E amor-ou-sim!"
Sílvio Mendes...o Rós...também b612!
Os seres vivos habituaram-se ao "ou não". Em todo o lado escuta-se um "ou não". Os "ou não cruzam-se connosco como o vento cruza com os fios de cabelo. É verdade, a vida é feita de "ou não". Cada caso é um caso e, por isso não existe uma verdade absoluta, irrefutável. Vivemos com o "ou não", pagamos a renda de casa com ele, dorminos com ele, comemos com ele, estudamos e descansamos com ele. Dirigimos o mastro do mundo nesta direcção. Será assim...ou não...
Mas como a vida tem sempre um lado mais brilhante houve alguém que me mostrou o
Ou sim...
"Quanto a mim, que pouco de mim sou (ou sim), a irrefutabilidade do amor é um "ou sim" dos grandes. Daqueles em letras maiúsculas com um chapeuzinho nos pontos. Não há outra direcção senão amor, por menos de mim que seja...é a única razão que me faz querer ler-te no escrever...
Será assim...ou sim...
E amor-ou-sim!"
Sílvio Mendes...o Rós...também b612!
segunda-feira, setembro 29, 2003
Uma resposta com letras no meio...nem sempre falar é a melhor opção...
Dezanove horas. Depois de um longo dia sem fazer nada, apenas ouvir música, passear pelos blogs, caminhar pela casa e apreciar esta rotina que poucas vezes vivo, lembrei-me que na minha casa existe uma caixa de correio, que durante todo o dia tinha ficado esquecida. Tive pena dela. Ninguém gosta de ser esquecido! Levei a chavinha pequena à fechadura, espreitei a caixinha pequena e surpreendi-me com o pequeno envelope. Adivinhei que a carta era tua, adivinhei, também as palavras e as folhas e pensei: "Como é que uma carta tão grande cabe nesta caixinha e neste envelope". Entrei na cozinha, sentei-me confortavelmente na cadeira, desliguei a televisão, enfim, preparei o momento.
Li as cinco folhas que, incansavelmente me escreveste, senti o peso da caneta nas folhas, ouvi o barulho que ela fazia, imaginei as vezes que paraste para descansar o dedo. Li a carta toda, seguida, sem um stop, sem um rewind. Li em voz alta e a casa, a cozinha, os quadros, os objectos conheceram toda a história. A minha alma gravou tudo, apanhou cada letra e vírgula, cada ponto e acento.
Amei a história como se fosse minha e esse sonho que partilhamos juntas, foi desse modo como me contaste que sempre o desenhei, o senti, o idealizei. Percebo-te como te peço que me percebas a mim se te parecer estranha. A alma é a mesma, a vida é que nos leva a respirar de modo diferente algumas vezes. Amei a carta como amo os meus desafios. Detestei o "agora estou perfeitamente normal". Isso não, por favor.
Dezanove horas. Depois de um longo dia sem fazer nada, apenas ouvir música, passear pelos blogs, caminhar pela casa e apreciar esta rotina que poucas vezes vivo, lembrei-me que na minha casa existe uma caixa de correio, que durante todo o dia tinha ficado esquecida. Tive pena dela. Ninguém gosta de ser esquecido! Levei a chavinha pequena à fechadura, espreitei a caixinha pequena e surpreendi-me com o pequeno envelope. Adivinhei que a carta era tua, adivinhei, também as palavras e as folhas e pensei: "Como é que uma carta tão grande cabe nesta caixinha e neste envelope". Entrei na cozinha, sentei-me confortavelmente na cadeira, desliguei a televisão, enfim, preparei o momento.
Li as cinco folhas que, incansavelmente me escreveste, senti o peso da caneta nas folhas, ouvi o barulho que ela fazia, imaginei as vezes que paraste para descansar o dedo. Li a carta toda, seguida, sem um stop, sem um rewind. Li em voz alta e a casa, a cozinha, os quadros, os objectos conheceram toda a história. A minha alma gravou tudo, apanhou cada letra e vírgula, cada ponto e acento.
Amei a história como se fosse minha e esse sonho que partilhamos juntas, foi desse modo como me contaste que sempre o desenhei, o senti, o idealizei. Percebo-te como te peço que me percebas a mim se te parecer estranha. A alma é a mesma, a vida é que nos leva a respirar de modo diferente algumas vezes. Amei a carta como amo os meus desafios. Detestei o "agora estou perfeitamente normal". Isso não, por favor.
sábado, setembro 27, 2003
Era uma vez um pássaro. Adornado com um par de asas perfeitas e plumas reluzentes, coloridas e maravilhosas. Enfim, um animal feito para voar livre e solto no céu, e alegrar quem o observasse.
Um dia, uma mulher viu o passáro e apaixonou-se por ele. Ficou a olhar o seu voo com a boca aberta de espanto, o coração batendo amis rapidamente, os olhos brilhando de emoção. Convidou-o para voar com ela, e os dois viajavam pelo céu em completa harmonia. Ela admirava, venerava, celebrava o pássaro.
Mas então pensou: talvez ele queira conhecer algumas montanhas distantes! E a mulher sentiu medo. Medo de nunca mais sentir aquilo com outro pássaro. E sentiu inveja, inveja da capacidade de voar do pássaro.
E sentiu-se sozinha.
E pensou: “Vou montar uma armadilha. Da próxima vez que o pássaro surgir, ele não partirá mais.”
O pássaro, que também estava apaixonado, voltou no dia seguinte, caiu na armadilha, e foi preso na gaiola.
Todos os diasele olhava o pássaro. Ali estava o objecto da sua paixão.
Entretanto, uma estranha transformação começou a processar-se: como tinha o pássaro e já não precisava de o conquistar, foi perdendo o interesse. O pássaro, sem poder voar e experimentar o sentido da sua vida, foi definhando, perdendo o brilho, ficou feio. E a mulher já não lhe prestava atenção, apenas prestava atenção à maneira como o alimentava e como tratava da sua gaiola.
Um belo dia, o pássaro morreu. Ela ficou, profundamente triste, e passava a vida a pensar nele. Mas não se lembrava da gaiola, recordava o dia em que o vira pela primeira vez, voando contente entre as nuvens.
Se ela se observasse a si mesma, descobria que aquilo que a emocionava tanto no pássaro era a sua liberdade, a energia das asas em movimento, não o seu corpo físico.
Sem o pássaro, a sua vida também perdeu o sentido, e a morte veio bater à sua porta. “ Por que vieste”, perguntou à morte.
“Para que possas voar de novo com ele nos céus”, respondeu a morte. “Se o tivesses deixado partir e voltar sempre, amá-lo-ias e admirá-lo-ias ainda mais; porém, agora precisas de mim para poderes encontrá-lo de novo”.Onze Minutos
Um dia, uma mulher viu o passáro e apaixonou-se por ele. Ficou a olhar o seu voo com a boca aberta de espanto, o coração batendo amis rapidamente, os olhos brilhando de emoção. Convidou-o para voar com ela, e os dois viajavam pelo céu em completa harmonia. Ela admirava, venerava, celebrava o pássaro.
Mas então pensou: talvez ele queira conhecer algumas montanhas distantes! E a mulher sentiu medo. Medo de nunca mais sentir aquilo com outro pássaro. E sentiu inveja, inveja da capacidade de voar do pássaro.
E sentiu-se sozinha.
E pensou: “Vou montar uma armadilha. Da próxima vez que o pássaro surgir, ele não partirá mais.”
O pássaro, que também estava apaixonado, voltou no dia seguinte, caiu na armadilha, e foi preso na gaiola.
Todos os diasele olhava o pássaro. Ali estava o objecto da sua paixão.
Entretanto, uma estranha transformação começou a processar-se: como tinha o pássaro e já não precisava de o conquistar, foi perdendo o interesse. O pássaro, sem poder voar e experimentar o sentido da sua vida, foi definhando, perdendo o brilho, ficou feio. E a mulher já não lhe prestava atenção, apenas prestava atenção à maneira como o alimentava e como tratava da sua gaiola.
Um belo dia, o pássaro morreu. Ela ficou, profundamente triste, e passava a vida a pensar nele. Mas não se lembrava da gaiola, recordava o dia em que o vira pela primeira vez, voando contente entre as nuvens.
Se ela se observasse a si mesma, descobria que aquilo que a emocionava tanto no pássaro era a sua liberdade, a energia das asas em movimento, não o seu corpo físico.
Sem o pássaro, a sua vida também perdeu o sentido, e a morte veio bater à sua porta. “ Por que vieste”, perguntou à morte.
“Para que possas voar de novo com ele nos céus”, respondeu a morte. “Se o tivesses deixado partir e voltar sempre, amá-lo-ias e admirá-lo-ias ainda mais; porém, agora precisas de mim para poderes encontrá-lo de novo”.Onze Minutos
quinta-feira, setembro 25, 2003
domingo, setembro 21, 2003
Porque se discute o papel dos blogs...
Qual o papel de um blog, de um post, de se publicar um livro, de escrever um texto, de rascunhar cadernos, de desenhar letras e pintar palavras, de riscar paredes, de cavar a areia, de mexer na água, de fazer contas no guardanapo, de vomitar sentimentos, de passá-los para o mundo?
Uns dizem que não nos conhecemos através dos blogs, outros refutam que sim. Outros, ainda questionam porque o fazemos, outros temem que o privado se confunda com o geral. Afinal, qual o papel de tudo isto? É o papel que quisermos dar. Lembro as palavras de Rita Ferro quando diz que através da escrita nos conhecemos melhor e ao mundo. Creio nestas palavras como quem crê em tudo quanto existe debaixo do sol.
E aproveito para fazer um PS para todos os meus posts. Quando escrevo sinto-me escritora e, como tal imagino-me e imagino um universo de mundos que podem fazer parte de mim ou não. Estórias imaginadas ou não, deste planeta ou de outro, são estórias vindas de um círculo, a minha alma, o coração, a mente, as minhas mãos, o meu piano sem notas mas com letras, o leitor e a alma dele. Estes ingredientes e outros, segredo da casa, é tudo quanto preciso para sorrir e fazer sorrir, chorar e fazer chorar. E isto pode ser num blog, num livro, num caderno, nas paredes, na areia ou nos guardanapos.
Qual o papel de um blog, de um post, de se publicar um livro, de escrever um texto, de rascunhar cadernos, de desenhar letras e pintar palavras, de riscar paredes, de cavar a areia, de mexer na água, de fazer contas no guardanapo, de vomitar sentimentos, de passá-los para o mundo?
Uns dizem que não nos conhecemos através dos blogs, outros refutam que sim. Outros, ainda questionam porque o fazemos, outros temem que o privado se confunda com o geral. Afinal, qual o papel de tudo isto? É o papel que quisermos dar. Lembro as palavras de Rita Ferro quando diz que através da escrita nos conhecemos melhor e ao mundo. Creio nestas palavras como quem crê em tudo quanto existe debaixo do sol.
E aproveito para fazer um PS para todos os meus posts. Quando escrevo sinto-me escritora e, como tal imagino-me e imagino um universo de mundos que podem fazer parte de mim ou não. Estórias imaginadas ou não, deste planeta ou de outro, são estórias vindas de um círculo, a minha alma, o coração, a mente, as minhas mãos, o meu piano sem notas mas com letras, o leitor e a alma dele. Estes ingredientes e outros, segredo da casa, é tudo quanto preciso para sorrir e fazer sorrir, chorar e fazer chorar. E isto pode ser num blog, num livro, num caderno, nas paredes, na areia ou nos guardanapos.
sexta-feira, setembro 19, 2003
quarta-feira, setembro 17, 2003
Os olhares atentos das pessoas que se fazem transportar nos autocarros é crónico. É incrível como aquelas multidões perpassam as vidas uns dos outros com os olhos. Sentamo-nos à frente uns dos outros e sentimos a respiração uns dos outros e vemo-nos a pensar. Como é a vida daquele que se senta de perna cruzada ou daquela que prefere ir de pé ao invés de se sentar naquele banco vazio mesmo ao seu lado. Cusquice ou não isto são os dias de todos nós!
terça-feira, setembro 16, 2003
sábado, setembro 13, 2003
Sou estranha. Qual é a graça de ser normal? Tenho uma criança em mim. Qual é a graça de ser adulto? E acima de tudo, por que é que não posso exclamar salpicos de céu e pedaços de mar, ao invés de salpicos de mar e pedaços de céu!
Algo que só os estranhos e as crianças (que são os mais felizes do mundo e o fazem melhor) compreendem. E esta, hein!!!
Algo que só os estranhos e as crianças (que são os mais felizes do mundo e o fazem melhor) compreendem. E esta, hein!!!
sexta-feira, setembro 12, 2003
Depois de ler o post Do Lado de Cá de hoje, também fiquei curiosa quanto à categoria que o Planeta B612 patenteia no inventário dos blogues portugueses levado a cabo pelo Blogo Esfera. Lá estava ele no número 24 da categoria "Atlas da Blogosfera", onde está escrito ...Universos, Planetas,...Lugares e mais lugares...
Enfim, uma categoria que se adapta, quanto mais não seja, somente pelo nome!!
Enfim, uma categoria que se adapta, quanto mais não seja, somente pelo nome!!
terça-feira, setembro 09, 2003
Homenagem
Ainda não dediquei suficiente tempo à descrição do planetab612. Por exemplo, ainda não estreitei caminho para links de outros planetas, que já fazem parte deste. Por isso, decidi prestar uma homenagem aqueles blogs que ás vezes visito mais de uma vez num só dia: Atacadores; Fechado para obras; Do Lado de Cá; destination myself; jack'sblog;Evasões de um sonhador... E a lista continua...
Ainda não dediquei suficiente tempo à descrição do planetab612. Por exemplo, ainda não estreitei caminho para links de outros planetas, que já fazem parte deste. Por isso, decidi prestar uma homenagem aqueles blogs que ás vezes visito mais de uma vez num só dia: Atacadores; Fechado para obras; Do Lado de Cá; destination myself; jack'sblog;Evasões de um sonhador... E a lista continua...
sábado, setembro 06, 2003
Hoje fiz uma longa caminhada. Pela estrada fora, pelos passeios incertos e vestidos de areia comecei a reparar nos meus pés. Ora, sempre que ando ao invés de olhar em frente, fixo as pupilas nas sandálias. Apreciei, pela primeira vez o meu andar, as minhas unhas, os meus pés. Não sei porquê o meu consciente levou-me aos antepassados e desenhei mentalmente a minha árvore geneológica. A cada passo imaginava os passos e a longa caminhada dos pais dos pais dos meus avós, dos meus bisavós, dos seus irmãos, primos, tios que depois deram sobrinhos e filhos e netos e irmãos e por ai fora... Até chegar a mim. Ali estava eu a caminhar e a sentir os passos que foram precisos para chegar a mim, aquele passeio, aquela caminhada, aqueles passos...
sexta-feira, setembro 05, 2003
quinta-feira, setembro 04, 2003
Estava rodeada de amigos num bar onde se recitava poesia. Os versos soltavam-se em bocas impreparadas para declamar. Resolvi, então sentar-me com uma amiga num degrau frente ao bar. Juntas apreciamos a beleza da noite, a lua escondida, um gato a vaguear. Ela fumou um cigarro, eu fumei do fumo dele! A poesia que brindava aquela noite intervalou e gentes saíram para refrescar o corpo inundado de fumos.
Um senhor de cabelos grisalhos, de idade avançada surgiu com um bloco de folhas bêge e lápis escuro. "Posso desenhá-la?", perguntou, acrescentando o seu gosto por sarrabiscar rostos, especialmente femininos! O tom envergonhado da voz que faz parte nestas situações não se escapou e entre os lábios apareceu, instantaneamente um "pode". Pediu para estar quieta, descobriu os meus 19 anos de filha única pela covinha no queixo. Entretanto, a poesia recomeça. "Vamos para dentro", sugere. "Oh, a luz não é a mesma", resmunga. Vira um foco de luz só para mim e nesta altura já está meio bar a admirar a pintura e a ouvir os versos que soltos não se ligam na minha cabeça. Começo a imaginar o que paira na mente daquele ser que descobriu o seu dom. Será que me vou reconhecer, será que tenho a luz, da qual todos os pintores falam. Porque acenam que sim aquelas pessoas. O pintor de rostos femininos engana-se e começa de novo. "Tem um rosto difícil para desenhar". E eu pensei se calhar é da minha estória, será que ele está apanhar a minha estória, as minhas vivências, a minha infância e juventude ou será mesmo pelo momento que estou a passar e o pintor que culpava a luz tinha captado e não sabia. "Para a semana tenho de lhe pintar melhor!", exclamava. Finalmente, o retrato ficou completo. Olhei a cara no papel à minha frente, nele via uma rapariga jovem com olhar terno, sério, com fios de cabelo a cair e uns olhos incompletos na sua plenitude. Não, não era EU que estava ali, mas era EU que estava ali. Não tinha conseguido parar a luz do meu ser, mas conseguiu parar o meu estado de alma! Antes de ir embora, ainda suspirou: "É muito mais bonita que isto".
Um senhor de cabelos grisalhos, de idade avançada surgiu com um bloco de folhas bêge e lápis escuro. "Posso desenhá-la?", perguntou, acrescentando o seu gosto por sarrabiscar rostos, especialmente femininos! O tom envergonhado da voz que faz parte nestas situações não se escapou e entre os lábios apareceu, instantaneamente um "pode". Pediu para estar quieta, descobriu os meus 19 anos de filha única pela covinha no queixo. Entretanto, a poesia recomeça. "Vamos para dentro", sugere. "Oh, a luz não é a mesma", resmunga. Vira um foco de luz só para mim e nesta altura já está meio bar a admirar a pintura e a ouvir os versos que soltos não se ligam na minha cabeça. Começo a imaginar o que paira na mente daquele ser que descobriu o seu dom. Será que me vou reconhecer, será que tenho a luz, da qual todos os pintores falam. Porque acenam que sim aquelas pessoas. O pintor de rostos femininos engana-se e começa de novo. "Tem um rosto difícil para desenhar". E eu pensei se calhar é da minha estória, será que ele está apanhar a minha estória, as minhas vivências, a minha infância e juventude ou será mesmo pelo momento que estou a passar e o pintor que culpava a luz tinha captado e não sabia. "Para a semana tenho de lhe pintar melhor!", exclamava. Finalmente, o retrato ficou completo. Olhei a cara no papel à minha frente, nele via uma rapariga jovem com olhar terno, sério, com fios de cabelo a cair e uns olhos incompletos na sua plenitude. Não, não era EU que estava ali, mas era EU que estava ali. Não tinha conseguido parar a luz do meu ser, mas conseguiu parar o meu estado de alma! Antes de ir embora, ainda suspirou: "É muito mais bonita que isto".
terça-feira, setembro 02, 2003
"O sistema está a funcionar"
Eu logo vi que estava tudo a correr demasiadamente bem para estreitar-se um desfecho para o caso "Casa Pia". Na hora H vêm com a treta dos recursos e que se está a fazer cumprir a lei e outras estórias da carochinha. O Júdice diz que o "sistema está a funcionar" e Portugal assim caminha como uma "choldra torpe" para a "bancarrota" como escreveu o nosso Eça de Queiroz.
Eu logo vi que estava tudo a correr demasiadamente bem para estreitar-se um desfecho para o caso "Casa Pia". Na hora H vêm com a treta dos recursos e que se está a fazer cumprir a lei e outras estórias da carochinha. O Júdice diz que o "sistema está a funcionar" e Portugal assim caminha como uma "choldra torpe" para a "bancarrota" como escreveu o nosso Eça de Queiroz.
Subscrever:
Mensagens (Atom)